Qual a diferença entre um ano comum e um ano bissexto?

No calendário gregoriano, um dos mais usados no mundo, um ano é o ciclo padrão de 365 dias. Um ano bissexto, no entanto, tem 366 dias: é uma tentativa de melhorar a precisão do calendário cristão ocidental para mantê-lo sincronizado com as rotações da Terra ao redor do Sol e com outros eventos astronômicos “fixos”, como os equinócios e solstícios.

Onde está o problema?

Explicando de forma simples: não existe um calendário perfeito. Um calendário representa um ano, geralmente um ano imperfeito. Um ano é o tempo que a Terra leva para completar uma volta ao redor do Sol, mas isso não é estritamente verdade. Um ano verdadeiro – conhecido como ano tropical, ano solar, ano astronômico ou ano equinocial – é o tempo que o Sol leva para passar do equinócio vernal (ou primavera) até o próximo equinócio vernal.

São 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 46 segundos – ou 365,2422 dias, para ser mais preciso. Portanto, há aproximadamente uma margem de erro de seis horas em cada “ano comum”. Os anos bissextos compensam esse 0,2422 extra de um dia. Não compensar essas horas “extras” nos deixaria fora de sincronia com as estações do ano – em cerca de 24 dias após somente 100 anos.

Explicando de outra forma…

Um ano comum tem 365 dias, cerca de um quarto de dia a menos que um ano tropical. Com 366 dias, os anos bissextos são três quartos de um dia mais longos que o ano tropical. Com o tempo, a combinação de anos comuns e bissextos nos mantém em sincronia com a órbita solar da Terra.

Com que frequência temos anos bissextos?

Os anos bissextos ocorrem quase a cada quatro anos, com algumas exceções.

O que significa “quase” a cada quatro anos?

O mês de fevereiro é acrescentado um dia a cada 04 anos. Imagem: Internet

Os anos bissextos foram introduzidos pelo imperador romano Júlio César no calendário juliano. Naquela época, os anos bissextos ocorriam, sem exceções, a cada quatro anos, mas isso foi sobrecompensado. O calendário gregoriano foi elaborado por Luigi Giglio, um astrônomo e filósofo italiano – e em homenagem ao papa Gregório 13 –, para substituir o calendário juliano, com critérios mais rígidos para os anos bissextos.

O calendário gregoriano estipula que os anos bissextos são múltiplos de 4, mas não são bissextos os anos que forem múltiplos de 100 (1900, por exemplo), com exceção daqueles que forem múltiplos de 400 (como 2000).

Precisamos pular alguns anos bissextos para explicar o fato de que essas horas extras, ou decimais (as 5 horas, 48 minutos e 46 segundos), no ano tropical não são exatamente um quarto de dia (6 horas). Então, em certo sentido, estamos corrigindo o reajuste, mas ainda não temos uma soma perfeita.

Competição de calendários

O calendário gregoriano foi adotado pela primeira vez na Itália, Polônia, Portugal e Espanha em 1582. Ele é considerado um dos calendários mais precisos em uso atualmente, mas mantém uma margem de erro de cerca de 27 segundos por ano – cerca de um dia a cada 3.236 anos.

É o quarto em termos de precisão, atrás do calendário maia, de cerca de 2000 a.C. e com margem de erro de um dia a cada 6.500 anos, do calendário juliano revisado de 1923, que tem margem de erro de um dia a cada 31.250 anos, e do calendário solar iraniano hijri, que é tão antigo quanto o calendário maia e tem margem de erro de um dia a cada 110 mil anos. Diz-se que o calendário hijri alcança sua alta precisão usando observações astronômicas em vez de matemáticas.

Outros calendários também têm anos bissextos?

Sim. O calendário chinês tem anos bissextos com meses bissextos – em vez de dias bissextos como no gregoriano. O ano bissexto hindu também apresenta um mês extra. O calendário etíope tem 13 meses, sendo que o 13º mês tem cinco dias em um ano comum e seis em um ano bissexto. O ano bissexto islâmico ocorre 11 vezes em um ciclo de 30 anos. E um ano bissexto judaico tem entre 383 e 385 dias, ocorrendo sete vezes em um ciclo de 19 anos.

 

Da redação com Climatempo