São Paulo registrou novamente o maior número de manifestantes Eduardo Enomoto/R7
São Paulo registrou novamente o maior número de manifestantes
Eduardo Enomoto/R7

Cerca de 600 mil pessoas voltaram às ruas das capitais brasileiras para protestar contra o governo da presidente Dilma Rousseff neste domingo (16), segundo levantamento do R7 a partir de dados divulgados pelas polícias militares estaduais. Foram registradas ainda manifestações menores em mais de 200 cidades em todos os estados do País e o Distrito Federal.

O maior protesto foi novamente na Avenida Paulista com cerca de
350 mil pessoas, segundo a Polícia Militar. O número é inferior ao 1,1 milhão do primeiro ato em março e pouco superior aos 275 mil que protestaram no dia 12 de abril.

Em Brasília, o número de manifestantes contabilizado, de 25 mil pessoas, foi metade dos 50 mil que compareceram ao primeiro ato organizado contra o governo em março. O grupo partiu em rumo ao Congresso Nacional com faixas, cartazes e roupas verde-amarela.

Com 24 mil manifestantes contabilizados no primeiro protesto deste ano, o volume de pessoas que foram às ruas em Belo Horizonte (MG), também despencou na segunda manifestação do ano. Em abril, apenas 5.000 compareceram à praça da Liberdade. Neste domingo, a PM (Polícia Militar) informou que 6.000 pessoas estiveram no ato,

O mesmo aconteceu em Salvador, onde 6.000 participaram dos protestos realizado no mês de março e apenas 2.200 aderiram ao ato em abril. Neste domingo, o número dos que compareceram às ruas contra o governo foi de 5.000 pessoas.

No Rio de Janeiro, o protesto realizado na orla da praia de Copacabana foi marcado por um princípio de tumulto. Não houve divulgação oficial do número de participantes e os organizadores estimam que entre 200 mil e 500 mil participaram da ação.

Na região Sul, todos os três Estados aderiram às manifestações, com 20 mil participantes nas ruas de Porto Alegre e Santa Catarina e 60 mil em Curitiba.

Também compareceram nos protestos contra o governo moradores de Vitória (40 mil), Fortaleza (15 mil), Cuiabá (14 mil), Goiânia (10 mil), Maceió (6.000), Belém (5.000), Natal (5.000), Aracajú (3.000), Campo Grande (2.000), São Luís (2.500), Rio Branco (1.500), João Pessoa (800), Manaus (600) e Rondônia (900).

Assim como o Rio de Janeiro, a polícia militar de Recife também não divulgou dados oficiais. Os organizadores falem que o grupo total manifestantes nas ruas da capital pernambucana foi de 50 mil.

Antes dos protestos, um dos líderes do MBL (Movimento Brasil Livre), grupo responsável pela organização dos atos, Kim Kataguiri, fez uma projeção de mobilização de um milhão de manifestantes em todo o País.

— Esperamos reunir hoje um milhão de pessoas em todo o Brasil. Nossa projeção é que seja maior que o último, mas menor que a primeira manifestação do ano.

Exterior

No exterior, houve protestos em Paris (França), Nova York (EUA) e em Londres (Inglaterra). As manifestações nos três países reuniram poucas pessoas.

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Na Times Square, em Nova York, um grupo reduzido pedia intervenção militar no Brasil. Na capital francesa, cerca de 20 pessoas protestaram em frente à embaixada do Brasil. O grupo disse não pertencer a nenhum dos movimentos que organizaram os protestos em território brasileiro.

Na capital inglesa, cerca de cem pessoas se reuniram em frente à embaixada brasileira. O grupo pediu a saída do governo atual e a prisão dos líderes do partido e exaltam o juiz Sérgio Moro, responsável pela operação Lava Jato.

Governo

Sem fazer nenhum anúncio oficial para avaliar os protestos, a única manifestação pública do governo foi pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Edinho Silva. Segundo ele, o governo “viu as manifestações dentro da normalidade democrática”.

Ao final dos protestos, a presidente Dilma se reuniu com os ministros Jaques Wagner (Defesa) e José Eduardo Cardozo (Justiça) no Palácio do Alvorada.

Eles chegaram no final da tarde e evitaram o contato com a imprensa. Todos desviaram da entrada principal da residência oficial e preferiram uma entrada lateral.

Durante a semana passada, circularam informações de que o governo pretendia deixar passar o domingo de manifestações sem qualquer movimento, numa estratégia para esvaziar a repercussão negativa do protesto.