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Walter Neto (PEN) disse que vai defender durante a campanha eleitoral projeto do Estatuto da Família, que tramita no Congresso.
Considerado inimigo pelo movimento GLBT, juntamente com o pastor e deputado Marcos Feliciano (PSC-SP), o pré-candidato a prefeito de Campina Grande, Walter Neto (PEN), disse que vai defender durante a campanha eleitoral o projeto do Estatuto da Família, que tramita no Congresso Nacional, e a implantação do cadastro municipal de gestante para combater o aborto.
Ex-deputado federal, Walter tentou ingressar na Rede Sustentabilidade, da ex-senadora Marina Silva, para disputar a prefeitura campinense, no entanto, disse que encontrou resistência, por conta de sua formação evangélica. “A Rede impôs aos deputados que votassem contra o Estatuto da Família, o que eu não posso aceitar”, explicou Neto.
Para o prefeitável, o Estatuto é muito simples, ao definir que a família é constituída por um homem e uma mulher. “Abre-se a possibilidade de entender a união homoafetiva como outro tipo de relacionamento, mas não uma família. Eu entendo como família o relacionamento entre o homem e uma mulher”, ressaltou.
Walter Neto revelou que, quando era deputado federal, apresentou um projeto de lei, estabelecendo um cadastro geral de gestante. “Foi justamente para combater o aborto e produzir provas contra o aborto ilegal. Acho interessante em pensarmos em fazer o cadastro municipal de gestantes em Campina Grande tanto para combater o aborto como também para ajudar as políticas de pré-natal, estruturar melhor a rede municipal na busca de um atendimento melhor para as mães”, justificou o pré-candidato a prefeito.
Grupo vê discurso ultrapassado e conservador
A representante do Grupo “Flor e Flor”, Estudos de Gêneros da UEPB, Mary Alves, afirmou ser lamentável que um pré-candidato a prefeito de uma cidade do porte de Campina Grande tenha um discurso tão ultrapassado e conservador como de Walter Neto (PEN). Ela lembrou que o próprio Supremo Tribunal Federal, demais instâncias do Judiciário, INSS e institutos de previdência próprios reconhecem arranjos familiares a partir de laços de convivência e afetividade entre pessoas do mesmo sexo.
“É lamentável que em uma cidade como Campina Grande se reproduza esse tipo de discurso que não acrescenta para o debate social, político e de desenvolvimento para a nossa cidade”, acentuou Mary.
Em relação à proposta de cadastro das gestantes, Mary Alves sustentou que a tese vai de encontro ao que já está previsto na política de direitos sexuais e reprodutivo, por meio de pactuação do Brasil com instituições internacionais, a exemplo da Organização das Nações Unidas (ONU) e Organização Mundial da Saúde (OMS).
Além disso, o Código de Ética Médico proíbe que o profissional de Medicina revele algo sobre o corpo do paciente para incriminá-lo por força do sigilo médico. Já o paciente não vai produzir prova contra si. “Essa proposta do pré-candidato só expressa essa onda conservadora que está presente na política brasileira, baseada em preceitos religiosos que violam as perspectivas dos direitos humanos. Ao mesmo tempo, se fundamenta na questão da sexualidade e da orientação sexual para restringir direitos civis”, arrematou a representante do grupo Flor e Flor.
Fonte: Jornal da Paraíba