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(Pontos de vistas que mudaram sua vida)

O que é o Amor? Assim, arrebatadoramente, começamos nossa reflexão. Essa pergunta seguramente nos leva, de pronto, a contra perguntas espontâneas: Que tipo de indagação é essa? Que resposta pretende-se ter? Qual o objetivo do questionamento?

Após essa provocação íntima, peço, acalmem-se. Não é tempo, ainda, de evocar dicionários eletrônicos ou sites de busca. De longe, definições formais aqui não é o tema central da conjuntura.

Três visões nos faz refletir sobre o Amor.

Para Platão, pensador mais influente da história, Amor – EROS em grego – estava fundamentado no desejo. E, em sua concepção, desejo é, em resumo, tudo aquilo o que falta. Ou seja, desejamos tudo que nos falta. Então, se EROS é desejo e se só desejamos o que ainda não temos, se tivermos a pessoa (ou objeto) de amamos automaticamente já não a amamos mais. Isto é, ou você ama o que não tem ou tem e não ama.

Essa ideia vigora, infelizmente, como padrão inquestionável até hoje. Os exemplos vão ao infinito, mas veja um interessante: um adolescente ama (deseja) sua colega da escola – uma deusa grega –, no entanto ela não dá a menor importância ao seu sentimento. Anos se passam e após longas reformas pessoais o jovem consegue seu objetivo: namorar sua amada. Porém, como em um comercial em horário nobre na TV, logo o desejo se dissolve em insatisfação cotidiana e tudo que ele mais deseja/ama é a sua nova professora de inglês.

Certamente, assim, o amor platônico é triste. Pois nunca teremos tudo que desejamos.

Para Aristóteles, Amor – Philia em grego – estava baseado na alegria. A alegria, segundo esse pensador, seria a passagem para um estágio mais potente do próprio ser. Amamos, dessa maneira, tudo aquilo que nos alegra. Então, para Aristóteles, Amor é a alegria pelo que está presente, pelo que se tem no agora. Deveríamos, assim, amar a companheira que já temos em nossas vidas (não a que achamos ideal ou simplesmente à vizinha “gostosa”), o carro que temos para trabalhamos e passearmos (não o que ainda está na concessionária, aquele de “ultima geração”), o emprego que já temos para suprir nossas necessidades financeiras (não o da transnacional da área de mídia digital que tem um RH “humanizado”).

Peculiarmente o amor aristotélico é alegre. Reconcilia-nos, sutilmente, com o mundo como ele é. Não fomos, porém, preparados para a alegria da simplicidade. Pois, quase sempre – infelizmente –, achamos que a alegria está encapsulada no alto de uma mansão suntuosa ou em paixões hollywoodianas.

Alguns neste momento perguntaram: “qual é a forma de amar ideal? Qual a forma de amar mais correta?” Depois de uma tímida risada, a resposta: – Não sei. Absolutamente, não seria outros, externo a você – família, amigos ou sociedade –, que trariam soluções às tamanhas indagações. Quem de nós, dantes ou agora, tem a coragem de tomar partido entre Platão e Aristóteles. Todos os pontos e contra pontos filosóficos, na verdade, são valores. Resta-nos, então, escolher o melhor caminho rumo a tão sonhada felicidade.

Por fim, para Jesus, maior pensador e mestre espiritual da história humana, Amor – Ágape em grego – é fraternidade universal. Assim se distância, e muito, do Amor de Aristóteles que visa à simples alegria do amante ou, menos ainda, o Amor de Platão o qual visa à satisfação imediata do amante. O Amor de Jesus é a busca da felicidade do amado. Busca o auxilio incondicional ao irmão para diminuir sua tristeza. O Amor de Jesus é plural e nos eleva ao estado mais evoluído de nossa finita existência material.

A partir de hoje. Se alguém disser: – eu te amo. Pergunte, com qual tipo de Amor?

E se alguém, agora, perguntar-lhe o que é o Amor, o que irá responder?

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Escritor e Poeta
Wellington Fortunato