Por Laís Aparecida – Minha experiência de (d)EFICIENTE assumida

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“… Minha faculdade não era acessível e eu vivi muitos infernos em uma única caldeira. Longos caminhos com desníveis, blocos com escadas, sem elevadores e outros com elevadores quebrados, sem manutenção… e eu precisava de tudo isto. Perdi várias aulas por inacessibilidade, algumas vezes, incompreensão de professores. Mas, por uma canetada certa em linha torta de Deus, amigos e outros mestres empáticos estavam comigo para ajudar a superar cada obstáculo que nos perturba, enquanto (d)EFICIENTES.

Laís Aparecida

Não baixo a cabeça por muito tempo. Dói a coluna. E pra quê sentir essa dor se já tenho as minhas? Eu briguei por meus direitos. Aprendi a fazê-lo quando me assumi. Cheguei a fazer barulho na coordenação do curso.

Mobilizei turmas, mexi com tudo.

Quando resolvi falar pela primeira vez sobre os desafios de uma PcD, através de um projeto de pesquisa que executaria com funcionários nesta condição e que trabalhavam no Campus, fui barrada duas vezes pelos Recursos Humanos da Instituição, sem justificativa.

Nas fases de estágios, passei por outros maus bocados… as situações de preconceito estavam mais frequentes, inclusive por parte da maioria dos pacientes na clínica-escola e nos atendimentos externos. Fui desacreditada por muitos, inclusive por mim mesma em certos momentos.

Não poucas vezes chorei nas reuniões de supervisão, aquele velho pensamento de estar no lugar errado, fazendo a coisa errada e por culpa de quem?

Meu supervisor dos estágios, investiu no que ele chamou de meu potencial. E quando eu disse que não conseguiria, me pediu para continuar tentando e nunca desistir. Tinha que ser você ali, Alberto, inclusive para aguentar minhas brincadeiras chatas na hora das reuniões, como uma tentativa frustrada de mascarar minhas inseguranças e medos; meus atrasos que expressavam minha vontade de desistir; minhas dores que pareciam ser somente pelo somatório de dúvidas. Mas conseguimos! Nós conseguimos! Porque eu confiei em mim e porque você e meus colegas não desistiram quando eu quis parar.

A última vez que “dei trabalho” à faculdade foi na colação de grau. Ambiente mais uma vez inacessível e eu bati o pé: providenciem formas de eu participar com conforto.

Quer saber? Foi divertido ver todas aquelas pessoas da organização correndo pros lados, Corpo de Bombeiros (minha gratidão) que ficou ao meu lado toda a cerimônia… Mas não foi divertido no sentido de humilhar, porque a maior humilhação é nossa, mas na questão de observar como seria mais simples se o Sistema pensasse um pouquinho mais em nós quando preparam eventos, quando planejam obras, quando criam instituições. Não sai mais caro, nem é mais trabalhoso. É mais INCLUSIVO.

Não se prenda às suas limitações. Busque possibilidades. E se estas possibilidades precisam mexer com outras pessoas ou lugares, bata o pé. Exija o que estiver previsto em seus direitos. ‘Dê trabalho!’.”

Laís Aparecida em Diário de um SER (d)EFICIENTE

Laís Aparecida – Psicóloga Clínica, Pós-graduanda em Criminologia e Psicologia Investigativa Criminal. Atendimento Psicológico em Araçagi, na Prime Clin, e João Pessoa.

Agende sua consulta através dos contatos: (83) 99896 6512

Email: laispsicologia@outlook.com / Instagram: @psicologa.lais

Da Redação/Portal Araçagi

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