Imagine que somos passageiros de um ônibus. A estrada é a vida. E como todo ônibus, faz suas paradas pelo caminho, pois algumas pessoas descem, outras sobem e em todas elas vemos algo novo [ou nada a aprender, para alguns].

Estamos todos nesse ônibus. Ele está lotado, está calor, nem todos que estão dentro são amigos. Alguns até já se mataram. Outros tentaram causar sua própria morte e muitos conseguiram.

E veja: Chegamos em uma parada que nos causa medo. Estamos com medo de RESPIRAR. Estamos proibidos de tocar no outro, de abraçá-lo. Das pessoas que amamos, estamos distantes. Daqueles que já não queríamos por perto, estamos mais longe ainda.

Que parada é essa? Que parada é essa que a reclusão humana possibilitou a liberdade dos animais? Que parada é essa que o ar poluído está mais puro sem nossa presença? Que parada é essa que nos traz saudade daquele encontro de amigos, se quando podíamos viver aquilo, estávamos presos nos nossos celulares? Que parada é essa que nos fez reconhecer que viver o presente era muito mais prazeroso do que se preocupar com o futuro? Que o trabalho não é tudo. Que a pressa não leva a lugar algum. Que a nossa liberdade não depende do poder e que a saúde está em primeiro lugar.

Um vírus no ar, algo molecular, invisível aos olhos humanos, nos fez perceber, da pior maneira, que não temos a grandeza que imaginávamos. Que a nobreza do ser humano não está no TER, mas no SER e no OFERECER; oferecer amor, empatia, solidariedade, atenção, respeito. E, infelizmente, o ônibus teve que fazer esta parada e, dolorosamente, termos que testemunhar tantas pessoas descerem dele para aprender que não somos NADA enquanto acharmos que temos que ser TUDO.

Psicóloga Clínica, Especialista em Investigação Criminal e pós graduanda em Saúde Mental. Email: laispsicologia@outlook.com / Instagram: @psicologa.lais

 

Da Redação/Portal Aracagi