Incrível, meus caros leitores… Incrível! Mas o que é incrível? Tudo! Em momentos atípicos de pandemia, a supervalorização da negatividade e abnegação das coisas essenciais, além da verdadeira barbaridade, que é o vandalismo da cultura de preservação e subsistência do ser humano que é a sobrevivência, passando de forma “ilesa” ou minimamente possível o intelecto racional de todos nós.

Estou iniciando este artigo com uma certa revolta com tudo que vamos enxergando no cenário municipal, federal e mundial, desvalorizando ainda mais os critérios de saúde e prevenção, e suas respectivas ações públicas. Criar polêmica? Essencialmente sim! Porque é ilógico imaginar que ritos culturais, políticos e costumeiros (QUE DEVIAM POR OBRIGAÇÃO) serem normalizados e tempos anormais.

Enxergar acontecimentos como eventos, protestos, ritos e qualquer coisa que excepcionalmente perturbem as ações de prevenções, deveriam ser abominadas, porque não há justificativa maior do que a saúde humana. Não temos vacinas para todos, não temos vagas em hospitais para todos, não temos covas suficiente para todos, e acima de tudo, não temos psicológico para ver entes queridos e pessoas próximas morrer e nem sequer ter a dignidade de nos fazer passar e tentar viver o luto disto.

É incrível, que a banalização dos números vitimais não causam mais alarde, que não há mais tanto engajamento para barrar a Covid-19 na localidade, e acima de tudo, a falta de espanto e a normalidade em ver que cada marca histórica é batida e ultrapassada.

O que mais impressiona também são as falas de líderes, pessoas conservadoras e alguns negacionistas, que mesmo com a crescente dos números de infectados e mortos, ainda comparam esse vírus a uma “histeria mundial criada pela mídia”. Sabemos o impacto econômico criado pelas medidas de distanciamento, com fechamento de comércios e todos os tipos de práticas financeiras, mas não é normal!

O vírus escancarou nossas desigualdades sociais, deixou nossas piores feridas expostas e provou que, na verdade, nosso “normal” já vinha adoecendo há muito tempo. Nesse sentido, o “novo normal” não garante o retorno de algum nível de normalidade, uma vez que o que vivíamos antes poderia ser considerado uma “anormalidade”.

Sendo assim, é importante que estejamos atentos para estas formas de abordagens que se pretendem ser educativas e que buscam nos ensinar e, não raro, controlar nossa vida em um possível – e próximo – “novo normal”. Que tenhamos, ao mesmo tempo, consciência da necessidade de ruptura com o que antes também considerávamos como “normal”.

Não podemos normalizar isso, não é normal! Não são apenas dados, são vítimas! Amigos, familiares e entes queridos. Não se acostumem com isso, o momento é atípico, e até os 7 bilhões de terrestres não forem imunizados, nada voltará ao normal. Atentem-se a isto, e só após, vamos realmente entender que este novo normal, já ultrapassou o limite do tolerável.

Escritos de Jefferson Procópio, Político, Graduado em Direito com Extensão em Ciência Política