Comparação é um tema comum, que todos nós humanos de alguma maneira já vivenciou em algum momento da vida, ainda que minimamente, porém não é algo tão bom. É como se o outro não tivesse problemas, não tivesse doenças, não sofresse decepções, tem o casamento dos sonhos, aquela velha história da “grama mais verde”. Porém, é importante lembrar que o outro só mostra aquilo que ele quer. O outro sempre vai mostrar aquilo que for mais conveniente para ele, será sempre sobre a ponta do iceberg, aparece 10 % apenas do que de fato é.

No principal tema dos debates sobre a desarticulação da esquerda diante do avanço do autoritarismo no Brasil, um dos equívocos mais notáveis é a comparação do incomparável – do tipo lulismo em relação ao getulismo e bolsonarismo em paralelo ao hitlerismo, dentre outras.

Pertinente lembrar sobre a necessidade óbvia de análise histórica. Isto é, considerar os diversos elementos do contexto específico, no tempo e no espaço, tais como atores, instituições, condições econômicas, relações entre governos, grupos, classes sociais, competição entre empresas e correlação de forças geopolíticas de cada momento. Mas a moda do momento é comparar a gravidade de alguns vírus para justificar fatos ou exemplos de insucessos passados.

Estima-se que, entre 1918 e 1920, 50 milhões tenham morrido por causa da gripe espanhola, entre os mais recentes, estão os de ebola, que infectou 30 mil pessoas e matou 11 mil na África, entre 2014 e 2016; de gripe suína, que atingiu mais de 200 países desde 2009 e fez 200 mil vítimas; e também os de gripe aviária registradas desde o fim dos anos 1990.

Os coronavírus já estiveram por trás dois surtos de doenças desde o início deste século. A Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars, na sigla em inglês) matou 774 das 8.098 pessoas infectadas em 2002. A Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers, na sigla em inglês) levou à morte 858 dos 2.494 pacientes identificados desde 2012, principalmente nesta região do mundo. Assim, o número de casos confirmados do novo coronavírus já é três vezes maior do que os do vírus da Mers e superou o total de infecções registradas pelo vírus da Sars.

                                                                             Grafico comparativo

Há vários dias, a comparação entre o coronavírus e a gripe comum tem aparecido para minimizar a importância do novo vírus. É um argumento frágil por dois motivos. Primeiro, que a lógica funciona melhor ao contrário: o fato de a gripe ser um problema de saúde é, justamente, uma razão para nos preocuparmos com o coronavírus, pois não queremos outro problema igual. O segundo motivo é ainda pior: os dados da Covid-19 conhecidos até agora indicam se tratar de uma doença mais contagiosa e mais letal que a gripe sazonal.

O último motivo para não desprezar o novo vírus é a simples precaução. O coronavírus pode, de fato, acabar sendo um vírus com o qual vamos conviver, a exemplo da gripe. Mas por enquanto é novo, não há vacina e é completamente e desconhecido, e só isso já seria motivo para ficar em alerta, porém como sabemos, no nosso amado e estimado Brasil, acabamos o usando como “bode expiatório”, para enaltecer certos fatos.

Sabemos o quão é prejudicial uma paralisação total na economia, nos costumes e interação, mas no momento, minimizar a curva de contágio é primordial para não perdermos o controle da saúde e nossos entes queridos, ainda estamos na incógnita de combate e prevenção, e nosso país possui proporções continentais, além de ser bastante populoso, fazendo o estágio de atenção ser maior.

Fique em casa! Mantenha os cuidados! A vida vale mais do que qualquer risco!

 

               Escritos de Jefferson Procópio – Político, Graduado em Direito com extensão em Ciência Política

 

Da Redação / Portal Araçagi