Pandemia desacelerando, movimentos mobilizando e pessoas reagindo. Em nações diferentes da nossa, isso seria um belo motivo para comemorar, mas em nosso amado Brasil, este longo período escancarou toda a desigualdade social, econômica e intelectual do país; tudo ficou muito visível e perfeitamente detectável, atingindo todo mundo, de formas distintas.

No Brasil é assim: se algo vai mal, vai mal; se algo vai bem, no futuro vai piorar. Esse é um pensamento típico de nós, brasileiros. Confrontadas com a realidade, essas ideias não param de pé, e assim sucessivamente derrubando idéia por idéia, como um efeito dominó, cada plano, ideologia ou ação.

E nisso, nós, revelamos nossa cruel faceta: o negativismo de uma cultura colonial, adormecido ou inerte, só esperando o famoso empurrãozinho pra utilizá-lo como desculpa. E como enxergamos esse negativismo? Pelas ações. Mas não se pergunte e nem se culpe, é algo endêmico mesmo, são séculos de des’moralismo extremo, que respinga em descrédito do nosso povo em nosso próprio povo.

E quando falo endêmico, idealize um cenário… Imaginemos neste Estado imenso de 8,5 milhões de quilômetros quadrados e todo mundo se apropriando à vontade, sem leis fortes, e uma onda maluca de alienados, praticando o mais exacerbado patrimonialismo, nepotismo livre, racismo e falsa moralidade. Imaginemos uma cumplicidade obscura, de parcerias mesquinhas, de vista grossa nos preconceitos, de acordos absurdos, de impunidade, verá que esse monstro cultural não nos favorece até hoje.

Então, as mazelas do Brasil são de origem endêmica, renitente, persistente, capilarizada, faz parte de uma mentalidade coletiva. Uma coisa negativamente atemporal, mas perfeitamente anacrônica, o que compõe nossa belíssima receita do quão errado é a onda que o Brasil surfa rumo à um futuro incerto.

Vivemos uma eterna luta paradoxal de ideologias partidárias, vivemos um mundo atrasado com culturas adotadas em séculos anteriores de países desenvolvidos, travamos batalhas intelectuais com pessoas que tem mais a oferecer independente de “onde veio” ou de sua opção social, sexual ou racial. Brigamos por fatos decadentes, lutamos contra hipocrisia e costumes erradicados há anos.

Até onde iremos? O mundo é uma constante evolução. Olhar para o passado é apenas valido para servir como exemplo ou espelho, e nisso precisamos evoluir, devemos avançar, pois ainda adotamos medidas e costumes retrógrados que só empurra uma ação para trás.

Escritos de Jefferson Procópio – Político, graduado em Direito com Extensão em Ciência Politica

 

Da Redação / Portal Araçagi

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