Por Jefferson Procópio – Fidelidade, sempre… lealdade, nunca!

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“João amava Teresa, que amava Raimundo, que amava Maria.” – Carlos Drummond de Andrade não imaginava que essa frase seria tão bem representada na política e consegue, com perfeição, resumir a dinâmica nas eleições tanto em âmbito nacional quanto no municipal. No que tange a formação de coligações, de certa forma, esta instabilidade é maior do que a poesia nos mostra. O período que precede os pleitos, algumas vezes pode ser permeado por divergência nos partidos e acusações de traição, ou até ter ações mais tranquilas e que apenas dependem do poder de articulações das lideranças.

O mundo político é tão sedutoramente corporativista e ao mesmo tempo tão desgregado que comumente leva o político a confundir regras básicas. Talvez, se antes de se aventurarem na vida política, fizessem uma leitura, mesmo que superficial, de “O Príncipe” de Maquiavel (ao qual irei usar parâmetros neste texto) poderiam errar menos.

O primeiro requisito é, políticos ou aspirantes do ramo, tendem a reduzir ao mínimo o risco de traições ao indicar parceiros no jogo do poder, mesmo assim cometem erros. Mas a primeira condição para não ser traidor é conhecer profundamente a alma do indicado. É erro teórico, filosófico, doutrinário e prático achar que numa Democracia o Poder é “republicano”. A Democracia é apenas um tipo de exercício de Poder mas todas as artes do poder, descritas por Maquiavel, subsistem numa Democracia. Guarnecer a retaguarda é um dos mandamentos dele, correr o mínimo de riscos de traição é outro mandamento, nenhum político, nem o mais tosco, indica inimigos para postos chaves, é questão de sobrevivência.

Na política isso pressupõe que um grupo político só se sustenta quando existe corporativismo, quando existe uma bandeira comum que os induza à confiança mútua. Não se concebe um grupo político sem uma bandeira ou sem a crença de que o seu líder luta pelos interesses de todos. Em situações onde esses fatores não estão bem resolvidos, onde não é sentido o empenho do líder, os “soldados” acabam por precisar buscar apoio em outros exércitos. Esse grupo político é mais que vulnerável, é marcado para se desintegrar.

Muitos erros políticos de hoje são oriundos dessa confusão entre o “soldado” absolutamente leal aquele que é franco, honesto, que denota responsabilidade para com os compromissos assumidos. Esses, quando se aliam a “politiqueiros”, invariavelmente, não tarda para serem desprestigiados. O absolutamente leal a um líder inteligente e perspicaz é valorizado e só tem a contribuir.

O “soldado” absolutamente fiel, aquele que não contraria a confiança nele depositada, que age com dedicação absoluta, não a um líder, mas a um dono, pouco ou nada vale. Costumam confundir fidelidade com subserviência que por sua vez não têm valor político algum, a menos que sejam usados em uma ou outra negociata e são deixados de lado por qualquer outro interesse que o líder possa ter. Vale lembrar que fiel é o cão. O absolutamente fiel é mais facilmente descartado.

Essa é uma percepção que todos, ao terem a intenção de se integrar a um grupo político, devem ter em mente. Ninguém valoriza o outro, a mesmo que este se valorize. Se o líder entender que o soldado o pertence, não será preciso desprender nenhum esforço para mantê-lo próximo. Não existirá a conquista. O comportamento de um político deve ser pautado na autovalorização e, sobretudo, no respeito.

Precisamos sim, de uma repaginação de ideais políticos, Nem todos entendem que o requisito primordial para um político é saber discernir entre ambos: lealdade e fidelidade, mas todos sabem que uma formação de opiniões independe de seus feitos, mas sim de seus atos. Sigamos de olho nos próximos capítulos destes formadores de paradigmas errôneos.

 

Escritos de Jefferson Procópio – Bacharelando em Direito com Extensão em Ciência Política

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