Por Jefferson Procópio – Entre o governo alarido e o arroubo: Os 300 dias do Capitão Jair Bolsonaro

0

Enfim chegamos aos 300 dias! Passados exatos 11 meses de sua posse, passamos por um momento de análise; enfim, Jair Messias Bolsonaro e sua trupe merece aplausos ou dúvidas? Entre seus feitos mais impactantes estão três PECs, uma privatização, vários leilões e sete decretos de presente. Mas em todos os aspectos, o governo improvável prometido pelo Capitão parece estar muito perto de ser cumprido.

A divisão de atos é bastante ilustrativa do que tem sido a dinâmica do governo nesses dez primeiros meses: de um lado, a equipe de Paulo Guedes propondo medidas liberalizantes, que foram prometidas na campanha e que podem, se aprovadas, levar à superação do quadro de profundo desacerto fiscal e levar a um crescimento mais vigoroso, e Bolsonaro e a ala mais ideológica, de outro, promovendo polêmicas estéreis, brigando com Deus e o mundo e, aqui e ali, deixando escapar laivos autoritários promovidos por ele e seus filhos.

Conforme nós, cientistas políticos, indagamos é, após as turbulências passadas depois de 10 meses de mandato e de crises, o presidente vai abandonar seu estilo de confronto e passará a governar de modo mais pragmático? Por enquanto não.

Isso vai depender de pelo menos três aspectos da política nacional que devem prevalecer até o fim do ano: o resultado do conflito entre Bolsonaro e o seu partido, PSL; como será recebida a Reforma Administrativa e a Reforma Tributária, a cargo do ministro da economia, Paulo Guedes; e a definição pelo STF sobre prisão em segunda instância, que pode alterar os rumos da operação Lava Jato. Fatos estes que serão de suma importância para o desenrolar do seu primeiro ano de governo.

O presidente Jair Bolsonaro participa da Solenidade dos 300 dias de Governo

Paulo Guedes explicou sobre o conjunto de medidas que finalmente chega ao Congresso. A ideia de repactuar a relação entre União, Estados e municípios ao mesmo tempo em que se flexibiliza a aplicação dos recursos e se reindexa a estabilidade do funcionalismo é um todo que faz sentido dentro da ideia liberal de que o Estado deve ser menor para gastar menos consigo mesmo e mais com a sociedade, porém, veremos se o Brasil está apto a receber este regime…

Em relação aos feitos, termina-se o ano com a expectativa da economia melhor do que se imaginava no começo do ano. E claro a queda na taxa de juros fortalece a perspectiva de ampliar investimentos e alavancar a construção civil. Enfim, a inflação continua baixa, risco-país baixo. Embora o desemprego ainda esteja muito elevado a economia está melhor do que as expectativas iniciais.

Sua articulação política é muito errática, muito instável. Muitas vezes funciona, outras não. Como afinal de contas funciona essa relação com o Congresso ainda é uma questão não resolvida, não há uma base governista estável como nos governos de FHC ou de Lula. O principal problema é a forma rude de Bolsonaro na gestão do governo. Sua maior característica é criar problemas e embates, alguns deles absolutamente imaginários, uma guerra ideológica em sua cabeça, que alimenta as suas intervenções. Assim, o governo muitas vezes “precisou apagar incêndios” provocados pelo próprio.

Por fim, um governo marcado por um exército de um só, no qual elegeu vários oportunistas de capacidade duvidosa, marcados por ser “seguidores” do capitão e somente isso, que nos apresentam um total despreparo para o cargo, vide suas espetaculares apresentações em sessões na câmara, com discursos extremistas, de baixa relevância e pouca efetividade parece contrastar com seus ministros, uns capacitados ao extremo, outros verdadeiros poetas em sua arte de se calar, parece que aos trancos e barrancos estão aí, compondo um devido sucesso em seus 10 meses iniciais.

O que nos resta é aguardar e torcer pelo seu sucesso, afinal, seu sucesso é o nosso.

Escritos de Jefferson Procópio – Político, Bacharelado em Direito com extensão em Ciência Política

 

Share.

Comments are closed.