Por Jefferson Procópio – Do abismo à beirada: Os 100 dias de Bolsonaro

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Aqui estamos! Finalmente os 3 meses, assim caminha Jair Messias Bolsonaro à frente do governo federal e na próxima semana bate a marca dos primeiros 100 dias. Ele começou defendendo metas ambiciosas de transformação da economia. De um lado, quer promover um forte e rápido ajuste fiscal, em que o destaque é a reforma da Previdência. De outro, quer implementar um amplo programa de liberalização, envolvendo privatizações, abertura da economia, redução do crédito público, desburocratização, etc. Essas são metas conhecidas há tempos, mas só nestes 100 dias começou a ficar mais claro o tamanho da ambição, o ritmo esperado de implementação e, principalmente, o caminho que o governo pretende seguir para atingir suas ousadas metas.

Normalmente, quando se inicia um novo período governamental, se diz que há um período de lua-de-mel. Esse período geralmente gira mais ou menos em seis meses. Assim, nesta semana chegamos à metade da lua-de-mel do novo presidente. Se comparado com o início de outros governos, essa parece ser a lua de mel mais conturbada da nova república brasileira (excluídos os reeleitos).

A relação com o Congresso, especialmente com a Câmara dos Deputados, ainda não encontrou um ponto de equilíbrio, e o Parlamento já mandou dois recados ao presidente. O primeiro em fevereiro, menos de um mês depois da posse dos novos deputados, ao derrubar o decreto que ampliava o escopo de funcionários aptos a impor sigilo a documentos públicos. O segundo aconteceu no final de março, quando a Câmara aprovou, em duas votações, uma PEC que torna impositiva a execução orçamentária das emendas de bancada.

As dificuldades na articulação política do governo se refletem no número de proposições de iniciativa do Palácio do Planalto aprovadas pelo Congresso nos quase cem dias de mandato do presidente Jair Bolsonaro: zero. Todos os 16 projetos ou medidas provisórias apresentadas pelo Executivo tramitam em ritmo lento, quase parando, na Câmara dos Deputados. 

A essas dificuldades se soma um mal estar de parte da sociedade e mesmo de políticos aliados com a falta de apresentação de planejamento para as áreas específicas do governo. Desde a posse a aprovação do governo, em nova pesquisa, já caiu 15 pontos e é menor que a aprovação, no mesmo período, dos governos de Sarney, FHC, Lula e Dilma.

As medidas de maior impacto, no entanto, dependem do Congresso e dificilmente avançarão. É aí que entra a medida considerada “número 1” pelo novo governo, a reforma da Previdência. Fracassada no governo de Michel Temer (MDB), a iniciativa de reformular o sistema previdenciário poderá determinar o sucesso ou insucesso do novo governo neste ano, segundo avaliam os próprios integrantes da equipe de Bolsonaro e os cientistas políticos brasileiros.

Questões como a valorização da família e ideologia de gênero devem estar na agenda do governo nos primeiros meses, apesar de até agora não se ter conhecimento de como serão implementadas políticas práticas relacionadas a esses temas. É o carro chefe de Bolsonaro, mas não tem nada claro sobre quais medidas serão tomadas para a valorização da família e contra a ideologia de gênero. É uma agenda difícil de visualizar medidas concretas, mas ele vai ter que agir rápido, afinal, essas questões movimentaram seus eleitores.

A Presidência deve se manter firme e impor sua nova filosofia política, até porque, se não o fizer, demonstrará fraqueza e será vítima dos parlamentares pelos próximos 4 anos. Com a força que veio das urnas, o governo e sua equipe não imaginaram que o Congresso se comportaria dessa forma. Mesmo com a experiência parlamentar de Bolsonaro e Onyx, imaginou-se que a renovação política daria novos ares ao Congresso e que ele lutaria em prol do Brasil e não de seus próprios interesses, ledo engano.

O momento é de atitude, pulverizar os esforços para alcançar outros objetivos – dentro do prazo de 200 dias – e sair dessa espiral de pressão que vem da imprensa e do Congresso. O Brasil não se resume à Reforma da Previdência, embora ela seja crucial para o retorno do crescimento econômico, existem outras formas de aquecer a economia e de mostrar resultados mais rápidos que não dependam da vagareza da Câmara e do Senado.

 

Da Redação/Portal Araçagi

 

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