No lugar de ruas lotadas de pessoas de todas as idades, pintadas por confetes e fantasias e embaladas por um som ensurdecedor, um ambiente agora sem tantas alegrias, cores e músicas. Uma população inteira ensandecida pela cura de uma doença silenciosa, que vem devastando o mundo há pouco mais de um ano e provocando estragos ainda incalculáveis na economia e na sociedade.

No Brasil, nunca vivemos uma guerra e talvez por isso nunca tenhamos sabido reconhecer que sempre estivemos em guerra. E assim, talvez nos tenhamos anestesiado em meio ao acúmulo desmesurado das tragédias individuais, a tal ponto que, agora, nem sequer nos damos conta de que, ao menos potencialmente, é todo um país que dorme sem saber o que lhe acontecerá no dia de amanhã. Ao que parece, nossa insensibilidade diante da vida e da morte é pré-covidiana, está conosco de longa data.

A pandemia e o pandemônio

Apesar de 20 dos 27 estados brasileiros terem cancelado as festas de Carnaval e dos decretos que impedem, por lei, celebrações em locais privados, na prática a situação tem sido diferente. As pessoas que estão fazendo aglomerações eu acredito que não têm noção da consciência do problema. Temos jovens que estão na beira da praia, nos interiores e em áreas privadas escutando música, dançando com os amigos, bebendo e curtindo esta época.

O que mais foi visto neste feriadão (e não foi pouco), foram postagens de aglomerações e piadas sobre as medidas de prevenção e vacina, e não estamos vendo como as pessoas estão tentando ao menos “combater” essas ações causadas pelos irresponsáveis e até desinformados, pois muitos ainda acreditam que com as vacinas sendo produzidas, já estaremos na normalidade.

A tristeza maior é pelo que vivemos na humanidade, por tudo o que está acontecendo e pela maneira como a pandemia tem sido conduzida pelo poder público. Esse enfrentamento todo que temos passado para ter nossos direitos nos deixa mais tristes do que o próprio vírus. É óbvio que não gostaríamos de estar vivendo isso. Dependendo de como as coisas forem conduzidas, não vamos ter carnaval no ano que vem, já que não vai haver vacinas para todos.

Nesta pandemia, conseguimos entender e aproveitar o que passamos para nos recolher, rever algumas coisas. Ficamos tristes, pois essa coisa de não estar ocupando o espaço público, de não estar na rua conectados com as pessoas… Tudo isso faz parte do nosso ofício e da nossa tradição. Não poder realizar esse ritual é muito pesaroso para quem adora o carnaval.

Cuidado, ainda estamos em períodos turvos e com várias cepas do vírus circulando aí, se não tomarmos mais precauções, pode piorar muito mais.

Escritos de Jefferson Procópio – Graduado em Direito com extensão em Ciência Política