Por Jefferson Procópio – A ascenção dos sabichões da internet: Os donos da “verdade”

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Como sabemos, o mundo virtual da internet, é terra de ninguém. Exatamente da mesma forma que leva pessoas que não escrevia a começar escrever, e abre portas e conexões entre pessoas que não trocariam informações e conhecimento, além de dar poder a “doutores” nos mais diversos assuntos para aqueles que nunca leram livros específicos, alguma tese ou artigo de jornal. Há uma característica muito comum dos sabichões digitais: ninguém parece ter a menor dúvida do que fala, além de todos estarem afundados nas próprias e absolutas verdades.

No último ano e nesses correntes 10 meses de 2019, estamos vivendo uma verdadeira enxurrada de especialistas digitais, dos quais estes serviram como base de estudo para uma pesquisa recente divulgada nos veículos de mídia: psicólogos apresentaram uma mostra de avaliações que mostram que quem tem a melhor imagem sobre si é exatamente os menos capacitados no assunto que julgam conhecer e opinar. Em outras palavras: quanto menos sabemos, mais achamos que estamos preparados para discutir com qualquer um.

A Fantastica Fabrica de Fake News e seus benefícios

A inteligência está a um clique de distância: como ficar milionário no YouTube, vídeo aula de um lunático se torna expert em filosofia, comentários de jornalistas nos fazem doutores em ciência política, como virar um chef na TV. Infelizmente, as referências não são mais de quem se dedicou por anos ao mesmo assunto, mas quem vende o melhor atalho, ao menor esforço, com o melhor custo-benefício.

E por mais inacreditável que pareça, a mesma rede que prometia conexões e expansões formou zumbis mecanizados e ignorantes, guiados por suas experiências, propagando conclusões absurdas e rebatendo qualquer um que se opunha a sua opinião, alguns por má-fé, outros por total ignorância, fazendo pouco caso do sofrimento, ideologia, experiência ou trauma de quem passou.

 Esse determinado perfil de usuário, fruto e filho da cibercultura, tudo julga, opina sobre tudo, tudo condena. Age como uma espécie de juiz virtual, amparado pelo sigilo da internet, onde apresenta o culpado e dá a sentença. Esse moralista virtual, dono da “verdade”, não permite que ninguém pense diferente dele. Não pode haver tempo para defesa ou qualquer direito de resposta do acusado.

Tudo está dado e pronto, sem chance para o que for contrário do que julga. Há pressa para a condenação, por isso ele não precisa saber se o conteúdo é verdadeiro (exemplo: o crescimento do fenômeno Fake News) para dar sua sentença. Esquece-se dos meios e dos órgãos legais da Justiça.

E assim o são com todos os temas. Política, economia, violência urbana, novela das nove, a alta do dólar, a safra do caqui, o rabo da lagartixa. Tudo! O doutor sabe de tudo, tem sempre uma opinião pronta e fixa. Ele manda em qualquer conversa. Aproximar-se dele é desafiar a lei. Um cão que rosna. Não adianta discutir.

Para não se aborrecer, melhor evitar questões polêmicas. Ser de esquerda ou ser de direita? É prudente mudar de assunto. Defender a diversidade sexual? Ihh… vai cutucar um vespeiro. Concorda com a diminuição da maioridade penal ou “vai proteger bandido”? Pense bem se quer mesmo dizer o que pensa a um senhor da razão.

Tome cuidado! Sinal vermelho! Afaste-se!

Jefferson Procópio – Político, Bacharelado em Direito com Extensão em Ciência Política

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