Por Carlos Silva – Tem que ser muito macho pra ser homossexual

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É impossível não iniciar o texto sem trazer a tona, apesar de muitos já terem uma noção do que se trata, apresentar aos leitores o significado da palavra “preconceito”,  sentimento sempre explícito na vida de qualquer grupo social, seja ele racial, social, sexista enfim., vamos ao que diz sobre ela em boa parte dos dicionários:  

Preconceitosentimento hostil, assumido em consequência da generalização apressada de uma experiência pessoal ou imposta pelo meio; intolerância.

“p. contra um grupo religioso, nacional ou racial”

Acredito que já deu pra sentir o peso que carrega um sentimento tão negativo e de falsa superioridade sobre um outro, causando muitas vezes, danos irreversíveis e inimagináveis, destruindo sonhos e famílias, seja através de agressões em formas de piada ou em atentados contra a própria vida.

Dentre outros pontos, observo que a coisa (preconceito) está tão estigmatizada, entranhada e naturalizada no ser humano, seja no meio familiar, social, midiático ou em um simples bate-papo que, rimos da desgraça alheia e nem percebemos, isso, mesmo apesar de avanços considerados, mas ainda distantes do que seria considerado ideal.

Sobre o título (Tem que ser muito macho pra ser homossexual), tenho essa máxima comigo, faz tempo. Principalmente, quando acerca 10/11 anos atrás, encontrei, por acaso, em um aniversário no Rio de Janeiro, um conhecido meu, aqui mesmo, de Araçagi.

Na ocasião, e uso do mesmo termo preconceituoso que usei a época, “ele estava normal”, vestido com roupas masculinas.

Cinco anos após esse rápido encontro, me deparo com ele já aqui, em Araçagi. Confesso, foi um choque, talvez, por não enxergar as pessoas como deveria. Esse amigo estava de salto alto, maquilagem, saia, batom…mas, de cabeça baixa, envergonhado, tanto que nem me cumprimentou, e até entendi, pois, por onde passava, arrastava o ranço da ignorância de homens e mulheres que o olhavam da cabeça aos pés, cochichavam e riam dele, transmitindo de forma consciente ou inconsciente esse sentimento mesquinho e medíocre para as crianças que estavam naquele espaço.

Foi ali que enxerguei o quão corajoso esse meu amigo foi e é, por ser hoje, um homossexual assumido, aparentemente feliz e realizado. Mas, que com certeza, assim como muitos outros, tem que se reinventar a cada vez que sai de casa, que vai a escola, ao trabalho ou a uma balada.  

No tocante a violência física é que as coisas são mais assustadoras ainda.

Disponibilizo aos interessados, portanto, espero que seja o maior número possível de leitores, um video com o título:

Homofobia: a cada 28 horas, uma pessoa gay morre no país

Espero ter colaborado de alguma forma para que esses paradigmas, mesmo que lentamente, sejam esmagados pela tolerância, amor ao próximo e respeito, acima de tudo. Pois, não cabe a ninguém fazer o julgamento daquilo que você não sente na pele.

Vá por mim! Só quem sente, sabe.

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Graduando em História pela Universidade Estadual da Paraíba