Vivemos num dos momentos extraordinários da humanidade (não é frequentemente que acontece uma pandemia como a que estamos vivendo pelo Coronavírus); vidas encerradas pelo vírus do Sars-cov-2; sonhos e  objetivos desfeitos; famílias sofrendo pelas vidas de seus parentes perdidos. Estamos tendo perdas inestimáveis, histórias horripilantes como o ocorrido nos Estados Unidos onde “{…}Criança fica sozinha por horas após mãe morrer em casa por coronavírus”. Já no Brasil “pai e filho morrem no mesmo dia por coronavírus”, e sobre isso diz a tia e irmã das vítimas “Estamos sofrendo muito pela perda deles pela Covid e morremos junto com a tristeza de não podermos estar perto abraçar e nos despedirmos deles. Tudo é muito sofrido”. Na verdade esses são casos específicos, bastante específicos, no entanto, como pensar nas centenas de mortes e lágrimas causadas pelo poder mortal desse vírus? Alguns são contaminados pelo Covid-19 e acabam saindo “ilesos”, conseguem vencer o poder mortal do Coronavírus, mas, será que esse motivo pode levar-nos a menosprezar o poder de letalidade dessa pandemia pelo sars-cov-2? De maneira alguma podemos relativizar isso, pois, pessoas estão deixando de respirar, no Brasil já passamos a horrível marca dos 50.000 mortos, não são só números, são vidas, são histórias, são sentimentos encerrados, são famílias permeadas pela tristeza, pelo luto (sinceramente, não vejo no momento em que vivemos motivo para se comemorar).

Entretanto, num mundo capitalista, do individualismo, o pavor, o medo pelo futuro da economia “fala mais alto”, e assim, medidas de flexibilização da quarentena ( mesmo em meio a um grande número de contágio e mortes pelo coronavírus)  , com intuito da retomada da economia significam mais que vidas. Mas o que será que a flexibilização da quarentena num momento como esse pode causar? Acredito que a flexibilização da quarentena, com a retomada do comércio e outras atividades pode causar uma sensação de normalidade e as pessoas podem se enganar pensando que as coisas estão voltando ao normal, e assim, desobedecerem todas as recomendações de combate ao contágio do Sars-cov-2, e consequentemente, aumentando o número de contágios e vidas mortas. As medidas de retomada da economia num momento como esse ( lembremos que não tem vacina pronta contra o Sars-cov-2) podem causar essa falsa sensação de normalidade, e então,  muitas pessoas podem abandonar a prática do uso de máscara; a higienização correta das mãos; aglomerações podem se tornar uma prática muito constante etc. Durante a gripe espanhola em 1918 nos Estados Unidos localidades que adotaram o isolamento social retomaram a economia com mais rapidez e eficiência. A esse respeito “um estudo sobre os efeitos da epidemia de gripe espanhola sobre cidades americanas em 1918 indica que, ao menos um século atrás, medidas preventivas de isolamento social foram positivas não apenas para prevenir mortes, mas também amenizar o impacto da pandemia sobre a economia.” Nesse sentido, segundo afirma o documentário Netflix que tem por nome “explicando o coronavírus”, afirma que durante a gripe espanhola em 1918 “St. Louis” que teve um isolamento mais rígido conseguiu conter mais a curva de contágios e mortes pelo vírus, enquanto a “Philadelphia” que não adotou esse rígido isolamento teve um número de mortes e contágio crescente. E em Novembro de 1918 St. Louis flexibilizou a quarentena, com isso, causando  uma alta no número de mortos e contágios, fazendo com que a cidade se fechasse novamente.

Nesse sentido, baseado na conjuntura atual e respaldado pela história do ocorrido na gripe espanhola nos Estados Unidos em 1918, podemos formular a hipótese de que a flexibilização da quarentena e a reabertura do comércio num momento como esse com tantas mortes e contágios pelo sars-cov-2 no Brasil, pode-nos causar um falso sentimento de normalidade, consequentemente, ocorrendo um aumento exponencial de contágios e vidas encerradas. Dessa maneira, basta percebermos e ficarmos atentos que ainda não há normalidade (porque ainda não há vacina contra esse vírus). Assim, deixo aqui as questões: quando vamos perceber que a vida é maior que a economia? Porque não aprendemos com a História? Portanto, conscientize-se: não há normalidade.

Fontes:

https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2020/03/26/crianca-fica-sozinha-por-horas-apos-mae-morrer-por-coronavirus-nos-eua.htm

https://paisefilhos.uol.com.br/familia/pai-e-filho-morrem-no-mesmo-dia-por-coronavirus-falecemos-junto-com-eles/

https://catracalivre.com.br/saude-bem-estar/numeros-covid-19-brasil/

 https://epocanegocios.globo.com/Mundo/noticia/2020/03/cidades-dos-eua-que-usaram-isolamento-social-contra-gripe-espanhola-tiveram-recuperacao-economica-mais-rapida-diz-estudo.html

Graduando em História pela UEPB – CH; participante do NEABI – CH; aprofundamento em estudos sobre representatividade negra na Política.

Redação/Portal Araçagi