Chegou, pois é, chegou. Não queríamos, mas, num mundo tão globalizado como o que vivemos, ele iria chegar mais cedo ou mais tarde; é isso, o Covid-19 chegou nas pequenas cidades do Brasil. Chegou e vem avançando de forma exponencial nas pequenas cidades do Brasil e do Nordeste, esse vírus devastador de vidas, saúde, projetos, etc. Segundo pesquisa da Fiocruz o vírus está se alastrando em direção à cidades do interior “onde há menor oferta de Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) e respiradores”, segundo o site Agência Brasil. Sabemos que pelos casos confirmados de Coronavírus em cidades do interior, ele literalmente chegou, e a tendência é se alastrar, visto muitas pessoas e autoridades dessas cidades não darem importância ao isolamento social (o mais eficiente método contra o Covid-19 é o lockdown, ou bloqueio ou fechamento total), como forma de combate à circulação da Sars-cov-2. Sabe-se que a transmissão do Coronavírus ocorre de diversas formas, desde que uma superfície contaminada pelo vírus chegue em contato com olhos, boca ou nariz, sendo as mãos, meios condutores mais “eficazes” na transmissão deste  vírus. Pois é, mãos. É aqui que chega o ponto crucial de nossa discussão e análise, pois, são as mãos os membros do corpo utilizados pelos Garis no seu serviço de limpeza urbana, porém, são elas também instrumentos condutores do Coronavírus.

Sabemos que esses/as guerreiros/as fazem parte de um serviço essencial para a manutenção do bem estar das cidades, no entanto, como está a segurança desses homens e mulheres no que se refere aos equipamentos e cuidados necessários no combate a contaminação pelo Covid-19? Esses/as guerreiros/as trabalham mesmo com riscos iminentes “combatendo o coronavírus” ( visto pessoas lançarem máscaras, luvas e papéis após limpar superfícies que podem estar contaminadas, em qualquer lugar na rua, ou de qualquer forma no lixo; e além do mais eles estão lidando com limpeza de ruas e podem estar tocando no vírus ao coletar ou limpar em locais possivelmente contaminados). Portanto, faremos sucintamente uma análise de como está ocorrendo o dia a dia desses guerreiros da limpeza pública em tempo de pandemia pelo Covid-19 tanto nas grandes cidades quanto nas pequenas, isso baseando-nos em dados e fontes que já versaram sobre essas perspectivas e assim fazendo analogias, descrições e interpretações acerca da realidade dessas pequenas localidades do país.         

Os Garis nas grandes cidades em tempo de pandemia pelo Covid-19

O Coronavírus vem devastando as grandes cidades do nosso país, e assim, cada vez mais tornando a vida profissional dos agentes de limpeza urbana mais arriscada, com isso, sinalizando  o iminente risco que esses profissionais correm no seu trabalho expondo-se ao vírus do Sars-cov-2. Esses profissionais em todas as  capitais do país estão correndo um iminente risco de contaminar-se com o Covid-19, no entanto, especificamos Capitais como São Paulo e Rio de Janeiro onde esses homens e mulheres trabalham diuturnamente com a finalidade da limpeza urbana. Esses trabalhadores que indubitavelmente pertencem a classe pobre e trabalhadora, estão expostos a esse vírus que está matando vidas e arrasando o mundo. No entanto, apesar do perigo, muitos deles adotaram cuidados contra o contágio do coronavírus, isso porque tem ajuda das empresas terceirizadas ( e aí percebo pelo menos um ponto positivo dessas empresas) que contratam trabalhadores para esse fim. Apesar de todos possíveis cuidados tomados no Rio de Janeiro segundo o site O dia um Gari de 62 morreu com suspeita de Covid-19; mas, o que faz um homem que é do grupo de risco trabalhando num local onde há grande risco de contaminação por Covid-19? Boa pergunta, no entanto, as respostas ficam para os responsáveis que estão envolvidos nesse caso.

Contudo, há Garis que tem cuidados no ato de cuidar-se contra o Coronavírus;  numa matéria do site de notícias UOL existe um título assim: “ Com medo da Covid-19, Garis tratam papel higiênico como material radioativo”. Só o título dessa matéria deveria causar uma maior conscientização aos responsáveis por esses profissionais, na disponibilização de EPI´s de proteção contra o Sars-cov-2. No entanto, pode ser que essa iniciativa de proteção para esses/as guerreiros/as de modo geral no nosso país seja somente uma utopia singela que surge no ideário humanizado. O UOL relata: “Os funcionários afirmam que as pessoas limpam nariz e superfícies com papel higiênico ou lenço de papel, e moradores de rua abrem sacos, espalhando seu conteúdo”. Então, está nesse caso explicitado a realidade diária dos garis de São Paulo em meio a essa pandemia; enquanto a classe média e a elite está  refugiada do vírus dentro de suas mansões e apartamentos (muitas vezes produzindo lixo contaminado pelo Covid-19), esses trabalhadores arriscam suas vidas nas desertas ruas cheias de materiais possivelmente contaminados pelo vírus.

No entanto, há conscientização para funcionários por empresas responsáveis por eles, contudo, só isso não é necessário; e por isso, apesar de muitos garis não darem a mínima importância para a pandemia, uma boa parte adota seus “rituais” de higiene contra a pandemia, pois, se preocupam com a contaminação deles e da família. Entretanto, como discorre o site UOL: “Mas correr a noite toda atrás de um caminhão faz o suor escapar do boné. O medo é ele alcançar boca ou nariz e levar o coronavírus para dentro do organismo”, e ainda tem a possibilidade desses garis se esquecerem e passarem as mãos em locais de contágio. Mas essas realidades que os garis de grandes cidades estão enfrentando pelo menos tem a conscientização por partes de seus responsáveis. E nas pequenas cidades, nas cidades do interior, do interior do Nordeste, como está a realidade desses servidores da sociedade? Como as prefeituras pequenas que em uma boa porcentagem contratam esse serviço por meio de concursos públicos estão agindo em prol desses agentes de limpeza urbana no quesito EPI´s e conscientização?       

E nas pequenas cidades, como está o funcionamento da realidade dos Garis em tempo de pandemia pelo Coronavírus?

Não param, sim os garis não param, mesmo com o isolamento social. No entanto, já que é um serviço essencialmente necessário para a limpeza das cidades, como está a proteção desses trabalhadores contra o Coronavírus nas pequenas cidades do Brasil? Sabemos empiricamente, que o coronavírus pode ser jogado sim no lixo, pois, pessoas contaminadas podem jogar materiais descartáveis e contaminados no lixo, além do mais com a falta de bom senso de algumas pessoas que jogam máscaras e até luvas que podem estar contaminadas no meio das ruas; podendo assim contaminar esses servidores pelo Covd-19. Então, diante do explicitado, como estão se comportando os prefeitos das pequenas cidades em prol de equipamentos de proteção para esses trabalhadores? Acredito que essa interrogação poderá ser respondida pela observação da realidade dos garis de cada prefeitura das cidades interioranas.

Os garis são indubitavelmente invisibilizados e talvez essa realidade se aplique também nesse momento que estamos vivendo de pandemia pelo Covi-19, pois, já que esses trabalhadores são invisibilizados, não seria nada de mais para alguns prefeitos deixar esses/as guerreiros/as expostos ao Coronavírus sem lhes oferecer devidos materiais de proteção contra este vírus. No entanto, que os gestores se lembrem que esses trabalhadores são extremamente essenciais para a vida urbana, com isso, lhes dá a proteção necessária contra o Coronavírus é um tom de bom senso e de humanidade. No entanto, para os garis que não tiverem essa atitude de bom senso por parte da gestão, fica a dica do empenho pessoal no combate ao contágio pelo Coronavírus. Dessa maneira, que todos envolvidos nesse processo tenham consciência humana no combate ao Coronavírus  tanto os gestores quanto os garis; que os garis se lembrem que tem família e precisam protegê-las contra o Covid-19, e que os gestores tenham o bom senso humanizado de compreender que esses homens e mulheres precisam se proteger desse vírus e assim protegerem os seus familiares que estão em casa.    

Álef Mendes – Graduando em História pela UEPB – CH; participante do NEABI – CH; extensão em Ciência Política e em aprofundamento nos estudos sobre representatividade e Invisibilidade da população negra na Política.

Fontes: https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2020-05/pesquisa-da-fiocruz-indica-avanco-da-covid-19-em-cidades-do-interior

https://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2020/04/5894175-gari-de-62-anos-morre-com-suspeitas-de-covid-19-durante-tratamento-domiciliar.html#foto=1

https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2020/03/23/como-medo-do-covid-19-garis-tratam-papel-higienico-como-material-radiotivo.htm

Da Redação/Portal Aracagi