Policiais e bombeiros realizam protesto no aeroporto‘Bem vindo ao inferno’, dizem eles, em mensagens aos turistas na área de desembarque. 

Um grupo de bombeiros e policiais civis e militares realizaram um protesto na manhã desta segunda-feira dentro do terminal 2, na área de desembarque do Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim (Galeão), na Ilha do Governador. Com salários atrasados, os cerca de 30 servidores reclamaram das péssimas condições de trabalho. Eles saíram por volta de 8h da Praia de São Bento, na Ilha do Governador, e caminharam até o aeroporto, carregando duas faixas. Uma delas, em inglês, trazia uma mensagem aos passageiros: “Welcome to hell. Police and firefighters don’t get paid, whoever comes to Rio de Janeiro will not be safe” (Bem-vindo ao inferno. A polícia e os bombeiros não receberam pagamento, quem vier para o Rio de Janeiro não estará seguro”).

Um dos organizadores, que preferiu não se identificar, disse que o objetivo do movimento é dar visibilidade internacional ao que está acontecendo no Rio, às vésperas da Olimpíada.

— Estamos indignados com as péssimas condições de trabalho: escala de serviço massacrante, armamentos obsoletos, coletes (à prova de balas) vencidos, pistolas que não funcionam, não tem papel nas delegacias, não tem limpeza, não tem combustível para as viaturas — afirmou.

O protesto pelo saguão chamou atenção de passageiros que desembarcavam no Rio. Alguns deles, olhavam assustados, sem entender o que acontecia direito. Carregando um carrinho com malas, o italiano Francesco Abbatelli não sabia dos salários atrasados e se espantou com a situação relatada. De passagem pela primeira vez no Rio, ele afirma que, no quesito segurança, a cidade não tem boa fama na Europa.

— Sabemos que a violência no Rio é um problema grave e isso não é de hoje. Achei que os Jogos poderiam, de alguma forma, ajudar a melhorar a segurança, mas, pelo visto, não é o que está acontecendo. Perderam um boa oportunidade — opinou.

Durante o protesto, o grupo cantou e gritou palavras de ordem, como “O Rio vai parar” e “Não vai ter Jogos sem salário”. Para os organizadores, nem mesmo a verba de R$ 2,9 bilhões para segurança nos Jogos será suficiente para melhorar a situação.

Fonte: G1