Pesquisa aponta até 12 tipos de agrotóxicos na água de cidades da Paraíba

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Um levantamento mostrou que a água de cidades da Paraíba continha algum tipo de agrotóxico entre os anos de 2014 e 2017. Conforme dados do Sisagua, relatório sobre a qualidade da água mantido pelo governo federal e abastecido com dados das companhias que fornecem água nos estados brasileiros, na Paraíba, foram encontradas até 12 tipos de agrotóxicos na água que sai das torneiras.

Em João Pessoa, especificamente, foram detectadas 12 substâncias provenientes de pesticidas ou defensivos agrícolas no período de tempo pesquisado. Outras cidades paraibanas, como Cajazeiras no Sertão, ou Santa Rita na Grande João Pessoa, também apresentaram 12 tipos de agrotóxicos diferentes nas amostras coletadas entre 2014 e 2017.  Porém, o Sisagua indicou que ainda que a presença do número de substância tenha sido expressiva, as quantidades percentuais dos agrotóxicos na água fornecida na Paraíba não estão acima do limite permitido no Brasil.

O professor da UFPB, Hemerson Magalhãs, coordenador geral do Centro de Assistência Toxicológica (Ciatox) da Paraíba, destaca que, embora haja uma tolerância definida pelos órgãos de saúde no Brasil, não há estudos que indiquem um nível seguro de ingestão de agrotóxicos se for considerado um consumo contínuo a longo prazo. “Em alguns casos, em outras partes, na Europa por exemplo, há um consumo dez vezes menor, seis vezes menor, em outros tolerância zero. A questão é que esse tipo de substância presente da água que é usada diariamente para cozinhar alimentos ou para beber, a longo prazo, podem oferecer riscos à saúde. Pesquisas indicam associação desde problemas neurológicos à questão de mutações genéticas”, explica o professor e pesquisador.

Ainda de acordo com Hemerson Magalhães, existe uma preocupação mundial para redução do uso de defensivos agrícolas, desde uma redução gradativa tendo em vista que a proibição completa geraria um problema na produção de alimentos, até a produção de defensivos alternativos que não contaminem o meio ambiente, nem produza danos à saúde dos seres humanos.

“Não existe alternativa na questão consumo de água. Até porque, no caso das águas minerais comercializadas não existe um controle dos níveis ou tipos de agrotóxicos. Então, não há nenhuma comprovação de que as águas minerais também estão livres. Até porque esses defensivos também escoam pelo solo e atingem lençóis freáticos, podendo afetar aquíferos”, explicou.

Cagepa tranquiliza situação da Paraíba – A Companhia de Águas e Esgoto da Paraíba (Cagepa), por meio de nota, manifestou indignação a partir da divulgação precipitada da avaliação com base nos dados brutos de qualidade da água fornecidos ao longo dos anos por ela e demais companhias de abastecimento no Brasil.

“Ressalta-se que o cenário apresentado em relação aos agrotóxicos presentes na água de consumo humano, não condiz com a realidade brasileira. Este fato pode ser comprovado pela revisitação dos resultados analíticos dos monitoramentos semestralmente realizados, que são sistematicamente enviados à Secretaria de Saúde do Estado para integrarem o Sisagua, e confronto com os padrões estabelecidos pela legislação de potabilidade de água nacional, a qual é baseada nas diretrizes da OMS”.  Ainda de acordo com a Cagepa, os níveis presentes em alimentos são muito maiores que os das águas. Por fim, a nota explica que a população deve, em decorrência desses dados, buscar fontes alternativas de água, uma vez que a água que não fornecida pela companhia não passa por controle de qualidade com relação a outras substâncias.

Ministério da Saúde diz que dados são inconclusivos – Por meio de sua assessoria, o MS informou que está fazendo um levantamento de dados da presença de agrotóxico na água fornecida pelos serviços de abastecimento de água em todo o país que deve sair neste primeiro semestre de 2019.

“É importante ressaltar que não existem dados consolidados, não sendo possível, no momento, fazer avaliação sobre a situação da qualidade da água”, informou o Ministério da Saúde.

NOTA

O Ministério da Saúde informa que está fazendo um levantamento de dados da presença de agrotóxico na água fornecida pelos serviços de abastecimento de água em todo o país que deve sair neste semestre. É importante ressaltar que não existem dados consolidados, não sendo possível, no momento, fazer avaliação sobre a situação da qualidade da água.

O Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua) é um instrumento da pasta que tem como objetivo auxiliar o gerenciamento de riscos à saúde associados à qualidade da água destinada ao consumo humano, como parte integrante das ações de prevenção de agravos e de promoção da saúde, previstas no SUS. O sistema armazena os dados inseridos rotineiramente pelos profissionais do setor saúde dos estados e municípios e pelos responsáveis pelos serviços de abastecimento de água em todo o país.

A exposição aos agrotóxicos é um problema de saúde pública e cada situação deve ser analisada individualmente à luz do histórico de dados e dos valores de referência da legislação. Quando encontrados valores acima do padrão de potabilidade ou até mesmo diante da presença constante das substâncias, a vigilância deve notificar os prestadores de serviços de abastecimento de água para que se articulem com demais setores (em especial órgãos ambientais, de agricultura e de recursos hídricos) para estabelecimento de medidas de mitigação na bacia, que devem ser definidas com base no histórico de dados e nas características da bacia de contribuição do manancial. 

Cabe esclarecer que a norma de potabilidade brasileira se baseia em metodologia indicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e empregada na definição de normas e diretrizes de qualidade da água para consumo humano em diversos países. Além disso, cada Unidade da Federação pode editar normas complementares a fim de atender às especificidades de seus territórios, inclusive adicionando princípios ativos que não constam na norma nacional.

Fonte: G1

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