Paraíba e Piauí são os Estados mais intolerantes a gays

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5lgtkuotsq_79rtgk7sdg_fileNúmero de crimes com motivação homofóbica nesses Estados está acima da média nacional.

Em números absolutos, São Paulo foi o Estado que concentrou mais denúncias de violência homofóbica em 2014, segundo estatísticas do Disque 100 — central mantida pela SDH/PR (Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República) —, totalizando 250 casos, o que corresponde a  24,68%. Rio de Janeiro e Minas gerais vêm em seguida, com 77 e 73 registros, respectivamente.

O cenário ganha outra configuração quando são consideradas denúncias por 100 mil habitantes. Desta forma, Distrito Federal assume a ponta, com 1,52% das ocorrências. Logo atrás, praticamente empatados, vêm Alagoas (1,51%), Paraíba (1,22%) e Piauí (1,22%).

Os dados encontram convergência no Relatório Anual de Assassinatos de Homossexuais no Brasil, divulgado em fevereiro pelo GGB (Grupo Gay da Bahia). De acordo com o documento, quando considerados os números absolutos, os Estados onde houve mais assassinatos de LGBT foram São Paulo (50) e Minas Gerais (30).

Já em termos relativos, as chances de ocorrer um homicídio com motivação homofóbica na Paraíba e no Piauí estão acima da média nacional. Enquanto no Brasil, os LGBT assassinados representam 1,6 de cada um milhão de habitantes, nos dois Estados nordestinos a proporção salta para 4,5 (PB) e 4,1 (PI).

A psicanalista e professora da Universidade de São Paulo Edith Modesto, que é especialista em questões de gênero, destaca que as dificuldades enfrentadas pelos LGBT ficam ainda mais acentuadas em cidades do interior e em Estados mais conservadores, onde os avanços foram pequenos.

— O transexual enfrenta todo tipo de dificuldade. Não há qualquer facilidade. O homossexual, de modo geral, está um pouco melhor se viver em grandes centros. Se viver em pequenas cidades, em estados mais conservadores, tem uma dificuldade muito pouco menor do que antigamente.

Agressores

Estatísticas do Disque 100 referentes ao ano passado indicam que os homens são os principais agressores de LGBT. Em 620 casos não foi informada qual era a relação entre suspeito e a vítima. Desconhecidos e vizinhos estão entre os agentes da violência mais comuns, com 472 e 316 denúncias, respectivamente.

A rua e a casa da vítima são os locais onde mais acontecem as violações, segundo as estatísticas.

Três muros

Desde que descobriu que o filho caçula fugia do padrão heteronormativo, a professora Edith Modesto decidiu dirigir sua pesquisa para as questões de gênero. Há 25 anos, ela fundou o GPG (Grupo de Pais de Homossexuais) e, em 2011, recebeu o prêmio Tese Destaque USP por seu trabalho de doutorado intitulado “Homossexualidade: Preconceito e Intolerância —  Análise Semiótica de Depoimentos”.

De acordo com ela, há três muros que o LGBT precisa transpor: o social, a escola e a família. Este último é um dos mais difíceis de ser superado, conforme Edith. A psicanalista explica que é um processo complexo para muitos pais aceitar que o filho não está de acordo com a norma social.

— As famílias, em geral, querem ter um filho heterossexual, porque foi aquilo que aprenderam ser o melhor. Sabem também que o filho vai ter uma vida mais difícil. Há decepção, vergonha, medo, tristeza. Não é fácil. Temos que considerar que o preconceito é social e está internalizado em todos, inclusive, nos LGBT, o que atrapalha a autoaceitação.

Fonte: R7

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