Screenshot_2015-12-11-22-48-53-1Francisco dá início ao Ano do Jubileu, com especial atenção às mulheres que fizeram aborto, e mostra, mais uma vez, que quer reconciliar a Igreja Católica com seu rebanho
Texto de Débora Crivellaro (debora@istoe.com.br)
Mulheres que fizeram aborto, gays, casais em segunda união, novas configurações de família, ateus… Desde que assumiu o trono da Igreja Católica, em março de 2013, o argentino Jorge Mario Bergoglio tem feito seguidas declarações em apoio a esses grupos de pessoas, consideradas pecadoras e alijadas da prática cristã. Mas os acenos não têm se resumido aos discursos contundentes. Francisco demonstra na prática que quer reconciliar o catolicismo com sua essência: a prática do amor ao próximo e da caridade. E assim se aproximar de seu rebanho. Um exemplo disso foi a abertura do Jubileu da Misericórdia e do Perdão na terça-feira 8, com a presença do papa emérito Bento XVI. Normalmente, um Jubileu acontece a cada 25 anos (leia quadro). O mais recente havia ocorrido em 2000, com João Paulo II, mas um pontífice pode convocar um extraordinário a qualquer momento. Foi o que fez Bergoglio, um homem sensível e atento ao mundo em que vive. Uma época cheia de conflitos, em que o perdão tem se mostrado muito necessário.
O rito de início do Jubileu é a abertura da Porta Santa da Basílica de São Pedro, que só pode ser realizada durante os Anos Santos . Quem passa por esse pórtico recebe o perdão dos pecados e a indulgência plena. No dia13 de dezembro, pela primeira vez na história, serão abertas as Portas Santas de todas as catedrais do mundo. Durante a missa, na terça-feira 8, diante de milhares de fieis, o papa pediu coragem aos cristãos. “Deixemos de lado todo o medo e pavor, para que eles não se apropriem de homens e mulheres que são amados. Em vez disso, vamos experimentar a alegria do encontro com a graça que transforma todas as coisas.” Francisco disse que a Porta Santa era “uma porta de misericórdia e que aqueles que entrassem por ela iriam experimentar o amor de Deus que consola, perdoa e transmite esperança.” O pontífice também convidou os fieis a recuperar o “espírito do samaritano”, para sair a proclamar a alegria do amor ao mundo, o perdão e a reconciliação.
Neste Jubileu, Francisco decidiu dar especial atenção às mulheres. Especificamente àquelas que já fizeram aborto. Pecado que leva à excomunhão automática desde 1398, durante o Ano Santo o aborto será passível de perdão. As mulheres poderão inclusive receber a absolvição de padres (uma vez que esse tipo de falta só é perdoada por bispos), para facilitar o processo. “Há pecados reservados apenas ao papa, outros aos bispos, e também aos padres”, afirma o padre Denilson Geraldo, especialista em Direito Canônico, que explica: essa concessão só dura até 20 de novembro de 2016, quando termina o Jubileu. A medida causou polêmica dentro da própria Igreja Católica. Enquanto a ala conservadora reprovou o gesto de reconciliação, católicas feministas acharam o ato inócuo. “A gente vê o acesso ao aborto legal como um direito, não como um pecado que precisa ser perdoado”, diz a socióloga da religião Regina Jurkewicz, do grupo Católicas pelo Direito de Decidir.
Alheio às críticas internas, Francisco já se programou para participar de mais de 20 atos de absolvição com famílias, jovens, pessoas doentes, deficientes e presos. O objetivo dessa série de visitas privadas é mostrar com fatos concretos sua solidariedade com os marginalizados – pela sociedade e por sua própria Igreja Católica. O religioso argentino também não pára de estender sua mão para novos grupos, buscando aproximação . Na quinta-feira 10, lembrando os cinqüenta anos do Concílio Vaticano II, lançou um documento encorajando o diálogo com os judeus.
Via – Isto É