Por Álef Mendes

No processo eleitoral da cidade de Araçagi o racismo político que se delimita na discussão do racismo estrutural impera e assim constando a “invisibilizar” a ascensão política de negros/as, indígenas (talvez haja a justificativa de que não existem tribos remanescentes na cidade de Araçagi, mas sabemos que a discursão abrange essa possibilidade de ascensão indígena na política) e brancos pobres. 

A discussão sobre o racismo estrutural está bastante evidente pela obra produzida pelo Doutor Silvio Almeida, que busca o conceito no livro sobre a “necropolítica” de Achille Mbembe. Essa discussão abrange e demonstra-nos como a população negra no Brasil é “invisibilizada” e “sub-representada” pelas estruturas institucionais de nosso país. Na política não seria diferente, os negros no Brasil são colocados para fora do processo de disputa, visto as nossas estruturas políticas demandarem para serem eleitos candidatos que conseguem e têm bases financeiras para embasarem financeiramente as suas campanhas. Por isso que de certa maneira os candidatos que mais vemos eleitos são quase sempre brancos que descendem de uma classe média ou classe rica deste país. 

Você já se perguntou o porque que em sua cidade quem se elege quase sempre, principalmente para o executivo, são candidatos brancos e que possuem uma situação financeira mais elevada? Se não, quero lhe anunciar que isso é o racismo político ou racismo estrutural imperando no sistema político de sua cidade. Desse modo, percebemos que esse racismo político ou estrutural que retira negros/as do mandato político principalmente para cargos do executivo, leva consigo a “necropolítica” que é justamente a soberania e o direito legal do poder de quem deixar viver e quem deve morrer. Ou seja, a partir do momento que não se tem candidatos negros que lutam pelas causas negras nesses locais de poder, tendo em vista que a população negra é majoritariamente pobre nesse país, essa gente padece por faltas de políticas públicas que favoreçam a população negra, indígena, e brancos pobres.   

Na política de Araçagi, entre os prefeitos eleitos no século XXI não se tem um candidato eleito que visivelmente é ou era negro (dizemos visivelmente pelo fato de não termos acesso as suas fichas e auto-declarações, dos candidatos eleitos neste período citado). Candidatos que lutassem com conhecimento  da pauta negra e das lutas negras, que colocassem em seus planos ou projetos de governo políticas de incentivo à mais educação, saúde e ascensão social a esse povo negro, descente de indígenas e branco pobre. Por incrível que pareça na disputa eleitoral que se segue em 2020 não temos em Araçagi um candidato visivelmente negro e que lute pela pauta negra, assim se repetindo o processo de “invisibilização” e sub-representação dessa gente na cidade de Araçagi, nesse local de poder. Alguns negros se elegeram ao legislativo municipal da cidade de Araçagi, no entanto, foram poucos ( poucos porque a população negra é hoje mais de 50 por cento da população brasileira, no entanto são poucos negros nos lugares de poder), no entanto, não sabemos se esses candidatos negros eleitos para o legislativo municipal de Araçagi lutaram pela causa dessa gente negra. 

O que sabemos é que infelizmente as amarras escravistas e coloniais estão intrinsecamente ligadas ao processo eleitoral brasileiro e em Araçagi não seria diferente, nesse caso, mesmo havendo direitos e políticas de incentivo eleitoral para a candidatura de negros/as, basta saber se as nossas mentes estão desligadas das amarras coloniais, para assim votarmos em candidaturas negras e pobres, ou se a mente colonial de achar que lugar de negro não é em política ou liderando, vai imperar. 

Não ao racismo político, não ao racismo estrutural, não a essas mazelas no nosso país e na nossa cidade; a política precisa de representantes negros/as eleitos, pois como demonstram os números, uma grande parte desses negros eleitos buscam compromissos à atender a população mais vulnerável com políticas públicas, tendo em vista as suas duras experiências antes de sua ascensão política.                     

Álef Mendes – Graduando em História pela Universidade Estadual da Paraíba

 

Redação/Portal Araçagi

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