Cenário caótico, período em que as crises instauradas no país emergiram e uma pandemia que parece não ter fim nunca alarmam o mundo. Porém, aqui em nosso amado país, outros três pontos fazem um alarde absurdo: o primeiro, é o mais nítido isolamento do presidente Jair Bolsonaro no tocante a apoios e medidas no combate ao Covid-19 com governadores e prefeitos, o segundo refere-se ao afastamento do Congresso Nacional ao Executivo, dando uma espécie de “respiro” ao presidente, e o ultimo e principal; uma politicagem sem precedentes entre os parlamentares, causando uma tensão e crise de confiabilidade para nós, eleitores e co-dependentes de suas leis e votações.

A pergunta que me faço e sei que muitos também fazem, nos assusta… Afinal, porque o Covid-19 não é o principal foco aqui no país visto sua crescente taxa de mortos e infectados? E por mais assustadora seja a pergunta, a resposta também tem seu impacto! O Brasil ainda não aprendeu que sua politicagem é cíclica, e se renova a cada crise instaurada.

O que é muito deprimente, é aceitar que o vendaval que destrói o nosso país, desestabilizou nossa credibilidade, destruiu grupos sociais, maculou pessoas em todos os níveis políticos e civis, pelas projeções duvidosas. Claramente como espectadores desse show político veremos as conseqüências como se fossemos protagonistas.

Somos brasileiros e muitos de nós votamos em pessoas que deveriam resolver as mazelas da população. Sem citar que muitos depositaram exacerbada fé nos governantes. Hoje, neste palco de atores bem preparados, encontramos um circo deprimente de corrupção e de fraqueza humanas, como se um vírus estivesse deformando a personalidade e identidade dos personagens, pois a vidraça foi quebrada pela pedra. E o rombo foi desastroso, pois ambos pertenciam à mesma ideologia.

Mas, o foco de hoje está nos parlamentares, afinal, o que houve com eles?

Bolsonaristas, esquerdistas, direitistas, Petistas, comunistas ou seja lá o que forem chamados, nunca se viu tanta aberração jurídica e falta de decoro parlamentar entre eles mesmos e entre os poderes. Uns cometem crimes feministas, outros de decoro, outros de ameaça às outras esferas correntes, e no fim, naquela hora importante de votar em algo REALMENTE relevante, esquecem de suas promessas e juras quando ainda faziam de absolutamente tudo para chegar lá.

A bola da vez está no Foro privilegiado e as prerrogativas de um deputado, e até que ponto o foro privilegiado pode ser um perigo e porta aberta para a impunidade, e como a Constituição vê isso pode causar um problemão para quem se acha “acima da lei”.

Um dos argumentos de muitos contra este mecanismo é que ele seria um privilégio que fere o princípio de igualdade da Constituição, que garante que todos os cidadãos brasileiros são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza ou regalias. Os defensores do foro privilegiado entendem que a regra não é concedida à pessoa, mas ao cargo que ela exerce.

Porém, o grande elefante da sala está na consciência do parlamentar, o que ele julga como crime e o que ele comete, além de nos repassar algo que parece cada dia mais longe de acontecer: a observância da paz entre o legislativo, jurídico e executivo. Em quase 32 anos de constituição, nunca se viu tanta aberração jurídica de falas e atos dos congressistas e com isso, o clima nunca ficou tão tenso ante à “batalha infernal” que Direita x Esquerda travam há anos.

Confiabilidade x Politicagem

Neste Pinga-Fogo, abre uma dúvida enorme, como confiar no político que utiliza seu cargo apenas para ficar mais famoso ou ganhar mais pontos com o chefe? Como confiar neles para fazer valer nosso voto e nossa esperança? São práticas que existem há décadas, e nestas décadas correntes, só vimos práticas públicas e votações pífias, uma enorme falta de diálogo com a sociedade, e acima de tudo, a falta de transparência que não leva à lugar algum.

Atualmente, o termo politicagem sempre remete a algo ruim, e não é apenas algo que fica explícito, mas sim, algo que é entranhado e enraizado na política brasileira em todos os seus níveis de poder, precisamos resgatar a palavra Política do atual sentido negativo que ela carrega junto à sociedade, não é fácil, mas é uma reconstrução que deve partir daqueles que carregam a justiça em seu ofício, para poder dissociar essa variação nefasta, que é a politicagem.

Escritos de Jefferson Procópio – Político, Colunista, Graduado em Direito com Estensão em Ciência Política

 

Da Redação / Portal Araçagi