Por Jefferson Procópio – Politicamente correto: Até que ponto é aceitável? – Parte II

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Falso ou verdadeiro, Certo ou errado, são coisas simples de diferenciar, porém com os constantes fatos durante nosso cenário nacional, tanto na mídia quanto no cotidiano, estamos sendo bombardeados por notícias fortes, mas o que pode ser chocante para um, pode ser muito chato para outro. Nesta faca de dois gumes, vamos observando a polarização que vai surgindo, como a politização firmada entre direita x esquerda tão acirrada nestes momentos como uma espécie de parâmetro, entre os radicais e a turma do esquece isso.

Há quem diga que eles se ofendem por pouco e tornam o mundo chato e sem graça, com regras que impedem a livre manifestação. Não se pode mais fazer piadas, apelidar pessoas e rir de situações que seriam engraçadas. O discurso ficou entediante, e as pessoas também. Mas as minorias não declaram essa mesma opinião. Negros, gays, mulheres: entre eles, poucos são os que defendem as piadas preconceituosas e os apelidos ofensivos.

O mundo está chato, eles dizem. Mas, quem gosta de virar piada ou motivo de chacota ou preconceito para os outros? Qualquer associação é vista como ofensa, e qualquer brincadeira se torna alvo de acusações de preconceito — mas, o que cada um entende como brincadeira? Atacar minorias, com o objetivo de inferiorizar grupos que não atendem aos clássicos padrões da sociedade, não torna o mundo mais divertido, isso não é e nunca será uma brincadeira.

Preste muita atenção no que chamam de “politicamente correto”, pois também pode atender pelo nome de “processo civilizatório”. O mundo definitivamente está mais chato se você for racista, machista ou homofóbico. Se ninguém mais rir de uma piada machista, não é porque as pessoas perderam a graça, mas, sim, porque o machismo ou qualquer outro tipo de preconceito perdeu a graça.

Mas não estou aqui para dizer que devemos ser 100% corretos, pois sabemos que algumas pessoas não são totalmente fiéis a esta corrente, afinal, o politicamente correto nos transforma em robôs mecanizados, com medo de sair da linha, pisando sempre em ovos para não ferir A ou B com medo de “descarrilar” na reta da vida.

Há certas verdades que não precisam ou não devem ser ditas, especialmente por quem ocupa certos cargos. Mas o avanço do politicamente correto chegou a um grau tão absurdo que produz esse tipo de reação. Por mais compreensível que seja, porém, considero-a inadequada, contraproducente. O tiro sai pela culatra. Exige-se dos conservadores de boa estirpe uma postura diferente, superior, em vez de nivelar tudo por baixo.

Então, o grande enigma do século não está no poder do dinheiro, na força do status, no glamour do reconhecimento e tampouco nas conquistas isoladas, mas sim na busca incessante por uma identidade límpida e proba, firmada na generosidade, na dignidade e na integridade da vida do sujeito – de onde nascerão apenas lampejos de amor ao próximo e total compromisso com a honra que sua imagem poderá te transformar.

 

Jefferson Procópio – Político, formado em Ciência Política, Administração publica e bacharelando em Direito

 

Da Redação / Portal Araçagi

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