Por Jefferson Procópio – Mas afinal, pra que serve uma democracia sem a liberdade de expressão?

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100 dC. – surge a política do pão e circo, e nunca, em tanto tempo, conseguiu refletir como nos dias de hoje um movimento cada dia mais atual. O povo só quer pão? Os antigos reis romanos achavam que só pão não era suficiente, era preciso divertimento. E ofereciam um sanduíche de pão com circo. Entretanto, só divertimento parece não ser suficiente – é preciso também uma dose de ilusão. Ou, se quiserem, de espiritualidade, de fé, de esperança numa vida depois da morte. Incrivel, né? Mas em outras palavras, e numa contextualização mais atual, parece o cenário que vivemos.

E para quem me acha um visionário ou regressista nesse pêndulo de analogias, vou além! Nesse mundão chamado pátria amada, pagamos altos tributos, mas não fiscalizamos seu destino, e uma boa parte dele volta para os espetáculos eleitoreiros e a famigerada compra de votos tão comum aqui no Brasil, o que torna nosso maior meio de liberdade como um verdadeiro cabresto nenhum pouco nobre na política.

O cenário não poderia piorar quando atualmente nos deparamos com matérias que visam restringir a imprensa escrita e falada no que se refere a liberdade de expressão por meio de seus políticos e correligionários quando se veta a convivência de correntes distintas de opinião e pensamento, o que acaba regredindo anos de luta e esperança, buscando impor um relato que cria uma série de inimigos e ideologias que deveriam estar censuradas ou excluídas do ambiente artístico, acadêmico e político.

Os mecanismos estão cada vez mais fortes para reduzir as ideias no espaço público, eliminando ou criando filtros para os incentivos públicos ao cinema, privilegiando determinados meios de comunicação em detrimento de outros, discriminando ideias, eliminando dos textos públicos construções históricas de movimentos sociais, ou ainda criando situações grotescas como em algumas cidades do país.

E, em tempos de apologia ao triunfo individualista político, é preciso lembrar que vivemos em comunidade. Temos que lembrar uma sabedoria antiga cada vez mais esquecida: “sou porque somos”, onde nos ensina que o valor do engajamento pessoal na história coletiva é grande, e todo político pautado na integração entre todas as lutas, na diversidade, na generosidade e no enriquecimento da liberdade de expressão, desde que, de forma responsável é essencial na formação e desenvolvimento de uma nação.

Jefferson Procópio – Político e graduando em Direito, com extensão em Ciência Política

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