Ainda no hospital, Kátia sente muitas dores por causa do problema na vesícula (Diana Rogers/Rádio Globo)
Ainda no hospital, Kátia sente muitas dores por causa do problema na vesícula (Diana Rogers/Rádio Globo)

Família de Kátia Regina Vargas Araújo, de 45 anos, acredita que erro médico ocorreu porque outra paciente com mesmo nome estava internada na unidade.

Família de Kátia Regina Vargas Araújo, de 45 anos, acredita que erro médico ocorreu porque outra paciente com mesmo nome estava internada na unidade.

A cuidadora de idosos Kátia Regina Vargas Araújo, de 45 anos, deu entrada na Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora da Glória, no centro de Belford Roxo, Baixada Fluminense, nesta quarta-feira, para operar a vesícula, mas acabou tendo o útero retirado na sala de operação. Mais de 24 horas depois de passar pelo centro cirúrgico da unidade de saúde, Kátia e o marido, o auxiliar de serviços gerais Arnaldo Pinto Araújo, de 49 anos, não receberam nenhuma explicação sobre a mudança na operação. A clínica é particular e tem convênio com o SUS. O marido de Kátia, que soube da retirada do útero em vez da vesícula na quinta-feira pela manhã, depois que a própria mulher ligou para ele, acusa a unidade de erro médico.

“Ela ligou pra mim às 6 horas da manhã me avisando, falando: ‘Arnaldo, aconteceu uma tragédia. Eles me operaram errado. Em vez de me operar a vesícula, eles tiraram o meu útero’. Todo o prontuário, todos os exames dela, eram para fazer a cirurgia da vesícula”, conta.

Segundo Arnaldo, a cirurgia de vesícula estava marcada inicialmente para o dia 28 de maio, porém, quando a família chegou para o procedimento, a casa de saúde estava fechada. A cirurgia foi então remarcada para esta quarta-feira, dia 17. Kátia Regina deu entrada no hospital às 11h30. O médico que deveria operá-la não estava na unidade e outro médico operou a cuidadora de idosos. O marido de Kátia acredita que o médico pegou o prontuário errado na hora de ir para a sala de cirurgia, já que outra paciente com o mesmo nome estava internada na casa de saúde.

“Como tinha uma outra pessoa com o mesmo nome da minha mulher, ele [o médico]deve ter pego o prontuário errado e aí ele fez essa operação. Quando ela acordou, foi que ela viu que o procedimento foi errado”, diz.

A nossa reportagem esteve na clínica durante toda manhã desta sexta-feira, mas ninguém da administração da unidade quis se pronunciar. O marido de Kátia afirma que o médico que deveria ter feito o procedimento, doutor Marcos Macedo, admitiu o erro e informou que a cirurgia de vesícula deve ser na sexta-feira da outra semana, quando a mulher for retirar os pontos. A família, porém, está preocupada de a mulher passar por mais uma operação em tão pouco tempo. Enquanto isso, Kátia Regina continua sentindo dores e passando mal por causa do problema na vesícula.

Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, a Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora da Glória já havia sido interditada no final de março deste ano por falta de equipamentos, inadequação de estrutura física no processo de trabalho e por indisponibilidade de recursos humanos. Ainda de acordo com a secretaria, a casa de saúde foi reaberta um mês depois após resolver os problemas. O advogado da paciente, Maximino Gouveia, afirmou que vai registrar o ocorrido na delegacia de Belford Roxo por negligência médica e levar o caso até o Cremerj, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro.

Fonte: O Globo