Ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi, participando de audiência pública promovida pela Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR)
Ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi, participando de audiência pública promovida pela Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR)

As obras de transposição do Rio São Francisco serão concluídas e entregues em 2017, segundo anunciou na última quarta-feira (20) o ministro da Integração Nacional, Gilberto Occhi. Ele participou de audiência pública promovida pela Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR), juntamente com a Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) e com a Comissão Temporária para Acompanhamento das Obras da Transposição e Revitalização da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco.

Ao admitir o atraso, o ministro observou que obras de porte semelhante em andamento em outros países, como China e Japão, também levam tempo parecido para serem concluídas. “Nossa previsão é nos próximos dois anos entregar essa obra. Nós vamos estar compatíveis com a execução mundial de obras dessa natureza” afirmou.

Quando foram iniciadas as obras, em 2007, previa-se que a transposição do rio São Francisco seria concluída em 2012. De lá pra cá, o prazo previsto mudou algumas vezes.

No início de 2014, o ex-ministro da Integração Nacional Francisco Teixeira informou que em dezembro deste ano a água já estaria circulando pelos 477 quilômetros de canais. Em outro anúncio, o ministério previu a entrega para o primeiro semestre do ano que vem. Em março, Gilberto Occhi disse, na Câmara, que o segundo semestre de 2016 seria o novo prazo de entrega.

No mesmo período, o valor da construção estimado saltou de R$ 4,7 bilhões em 2007 para R$ 8,2 bilhões. Conforme o ministro, o custo total da transposição pode ter nova correção até o final das obras. “É possível que tenhamos, sim, a necessidade de suplementação” admitiu o ministro, frisando que a transposição tem sido acompanhada de perto tanto pelo Tribunal de Contas da União quanto pela Controladoria-Geral da União.

Apesar do novo atraso, os eixos Norte e Leste da transposição já estarão com ao menos 35 km de água fluindo. A ideia é liberar novos trechos gradativamente. “O nosso trabalho é no sentido de que faça a água andar pelo canal. Nossa previsão é que para os próximos três meses nós tenhamos condições de, no eixo norte, entregar 35 a 40 km de água sendo abastecida e, no eixo leste, da mesma maneira” anunciou.

Execução – Em abril, conforme informou Occhi, as obras do Projeto de Integração do Rio São Francisco alcançaram o índice de 74,5% de execução. Nos quatro primeiros meses do ano, o governo investiu cerca de R$ 600 milhões nas obras, contra R$ 277 milhões executados no mesmo período do ano passado.

“Quando nós chegamos ao ministério, essa obra estava com 69,2%, então nós estamos andando com a obra desde janeiro com 1.1% ao mês” assinalou Occhi, que assumiu o comando da pasta em janeiro, substituindo Francisco Teixeira.
Projeto

O projeto contempla 477 quilômetros de canais, formando os eixos Norte, que vai de Cabrobó (PE) a Cajazeiras (PB), e Leste, com início em Floresta (PE) e término em Monteiro (PB) que conduzirão a água no semiárido nordestino.

Segundo o ministro, as obras garantirão segurança hídrica para 12 milhões de habitantes de 390 municípios dos estados de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.

Visitas – Para acompanhar de perto o andamento das obras, os senadores decidiram que organizarão uma comitiva. Raimundo Lira (PMDB-PB), destacou que o governo deve centrar esforços também na revitalização do Rio São Francisco. “Se não houver um trabalho firme, constante e permanente de revitalização do Rio São Francisco, daqui a duas ou três décadas os resultados positivos dessa transposição podem ser prejudicados por falta de água” disse Lira, que preside a Comissão Temporária para Acompanhamento das Obras da Transposição.

Relator do colegiado, Humberto Costa (PT-PE) disse que os nordestinos estão ansiosos pela conclusão da transposição. “Todas essas obras são a esperança de que possamos resolver definitivamente o problema da oferta de água para a população nordestina” avaliou o parlamentar.

Fonte: PB Vale, com Agência Senado