Quem vê a magnitude do São João de Campina Grande, nem imagina que o evento, há não muito tempo, era um tímido festejo de rua. Em entrevista à rádio Campina FM, a ex-secretária de educação e cultura de Campina Grande, Margarida Motta; o ex-diretor de cultura e recreação, Eraldo César; e o editor do blog Retalhos Históricos de Campina, Emanuel Sousa, falaram sobre a história da maior festa do Estado da Paraíba.

Como tudo começou

O Maior São João do Mundo, como é popularmente conhecido, ao longo das quase quatro décadas de existência, passou muitas modificações para que hoje fosse considerado um dos maiores eventos de manifestação da cultura popular nordestina.

A concentração dos festejos começou no final da gestão do então prefeito Evaldo Cruz, e foi promovido de forma institucional, com a criação de um “palhoção”, onde aconteciam as primeiras quadrilhas. Em seguida, a gestão de Ronaldo Cunha Lima deu sequência e personalidade à festa. No ano de 1983, o então prefeito resolveu centralizar a festa onde hoje é o Parque do Povo.

Margarida Motta, atual diretora da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), era a secretária de cultura e educação na época, e teve papel fundamental na organização do evento. Segundo ela, o intuito principal sempre foi expandir a cultura local usando o artifício da educação e da alegria das festas juninas.

– A gente sempre quis estimular a educação e a cultura da cidade. Iniciando assim com as quadrilhas e pouco a pouco a festa foi dinamizando e ganhando espaço e conhecimento – explicou.

do nome ao título: o Maior

O então diretor de cultura e recreação, Eraldo César, foi considerado um dos principais responsáveis pela ”marca” e pela ”cara” que a festa assumiu ainda nos primeiros anos de realização. Foi Eraldo quem sugeriu a denominação “O Maior São João do Mundo”. Segundo Eraldo, o crescimento do evento foi muito rápido.

– Não se pode fugir da verdade. Tudo foi acontecendo de uma forma muito rápida e espontânea. No primeiro ano tivemos 113 quadrilhas e no segundo já com 208. Já no terceiro contávamos com 300 quadrilhas. Cada bairro tinha uma quadrilha, outros, tinham até mais de uma. Foi assim que tivemos a ideia de centralizarmos a festa – contou.

A partir dessa centralização e com o aumento da quantidade de turistas, foi criada então, a padronização da festa na pirâmide com modelos de barras. O São João de Campina, já deixava de ser aspirante à cidade com o São João mais conhecido e frequentado e tornava-se, por auto intitulação, o Maior do Mundo.

História de um povo

Segundo o editor do blog Retalhos Históricos de Campina, Emanuel Sousa, O Maior São João do Mundo é um dos eventos mais representativos do país e a ex-secretária Margarida Motta é parte fundamental dessa história.

– Não tem como não reconhecer a importância de Margarida na consolidação da festa. O São João é mais do que um evento, pois, exprime a cultura, a história de um povo – afirmou.

Não há mais como separar Campina Grande do São João e vice-versa. A cidade gira em torno da festa, que hoje é um dos maiores eventos do Estado. Durante os 30 dias de festa, a cidade movimenta o turismo e, consequentemente, a economia.

Mesmo com as mudanças dos últimos anos, e do fato da festa ter se tornado cada vez mais comercial, o Maior São do Mundo conta a história do povo campinense em diversas esferas – social, econômica, histórica, cultural, comercial e claro, emotiva. Pois, representa além de grandes acontecimentos, as lembranças do paraibanos que puderam experimentar um pouco da riqueza dessa festa.

Fonte: https://paraibaonline.com.br/saojoao/conheca-um-pouco-da-historia-do-maior-sao-joao-do-mundo/