2015-863538530-201511040055322315_RTS.jpg_20151104Decisão vale para quatro ativistas; nos EUA, Ohio rejeita legalização da droga.

Duas iniciativas progressistas foram rejeitadas ontem, nos Estados Unidos: a legalização da maconha em Ohio e um projeto de lei antidiscriminação em Houston, que pretendia garantir direitos a LGBTs. Embora tenham motivações diferentes, as eleições e plebiscitos deste começo de novembro mostram uma força conservadora em vários locais do país. Ironicamente, no mesmo dia, a Suprema Corte do México autorizou um grupo de quatro pessoas a cultivar e transportar maconha para uso pessoal — um primeiro passo para uma onda de ações legais que podem, finalmente, legalizar a maconha no país. E na Irlanda, o governo afirmou que pretende descriminalizar o uso de heroína, cocaína e maconha.

A proposta de legalização da maconha foi rejeitada por 64% dos votos em Ohio. Mas especialistas acreditam que isso se deve a alguns erros estratégicos dos que tentavam liberar a erva. Morgan Fox, do Marijuana Policy Project (MPP, a principal entidade de defesa da legalização nos EUA) disse ao “USA Today” que toda a campanha foi errada, incluindo o uso de uma mascote com jeito de super-herói, o que levou os pais a pensarem que isso poderia influenciar seus filhos pequenos.

ÁREAS DE PLANTAÇÃO CRIARAM OLIGOPÓLIO

Além disso, a proposta criava dez áreas, já determinadas, para a plantação da maconha, o que foi considerado, por muitos, a criação de um oligopólio. Até defensores históricos saíram contra esta regulamentação, que beneficiaria um determinado grupo de fazendeiros. O projeto também foi considerado muito ousado: passou de nenhuma permissão para a legalização total, incluindo o uso recreativo da maconha. Todos os estados que conseguiram legalizar a erva fizeram isso de forma paulatina, primeiro aprovando seu uso medicinal.

Para a diretora-executiva da Drug Free America Foundation, Calvina Fay, os 42% de eleitores que compareceram às urnas tomaram a decisão certa:

— Sabiamente rejeitaram um grande monopólio da maconha, ao mesmo tempo em que protegeram jovens residentes de serem expostos ao marketing e à comercialização, destinados a promover o uso de uma substância nociva.

Apesar das críticas à campanha, os apoiadores da legalização condenaram a postura adotada pela maioria dos eleitores, considerada por eles fora de sintonia com a mentalidade do país.

— É bastante óbvio que o resultado em Ohio não reflete a direção que vem sendo seguida pela nação, quando se trata de políticas de maconha — disse Mason Tvert, diretor de comunicações do Marijuana Policy Project. — Quando os eleitores em Nevada ou Massachusetts chegarem às urnas daqui a um ano, eles não pensarão sobre o que aconteceu em Ohio no ano anterior. Vão pensar sobre os problemas que a proibição da maconha causou em seus estados durante tantos anos e os benefícios da sua substituição por um sistema mais sensível.

Via – O Globo