A jogadora piauiense Kedma Laryssa Araújo, que está em um hotel em Kryvyi Rih, na Ucrânia

Há uma semana, a piauiense Kedma Laryssa Araújo, 20, está em um hotel com mais duas jogadoras brasileiras de futebol na cidade de Kryvyi Rih (418 km de Kiev), no sul da Ucrânia.

Sem um rota de fuga por conta da localização geográfica da cidade, que fica no centro do país, a atleta conta que está seguindo as regras passadas pelo clube de que não tentem deixar o local enquanto a situação não estiver mais calma.

“Por aqui na minha cidade continua sem ataques ainda, graças a Deus. Não vimos na nossa cidade falta de alimentos por enquanto, até porque não podemos sair do hotel onde estamos hospedadas”, conta a jogadora do Kryvbas Women, que foi para Ucrânia junto com as brasileiras há seis meses.

Ontem, o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), enviou ofício ao presidente Jair Bolsonaro (PL) pedindo ajuda às brasileiras no retorno ao Brasil. “Membros do Governo do Estado do Piauí estão em contato com KEDMA LARYSSA SANTOS ARAUJO, que informa estarem bem de saúde, mas precisando de apoio para se deslocarem em segurança até a fronteira, e de lá, retornarem ao Brasil”, cita o documento obtido pela coluna.

Contando com a especial atenção que Vossa Excelência dispensará ao caso envolvendo as brasileiras que vivem o pesadelo da guerra, que infelizmente atinge outros conterrâneos que residem na Ucrânia, ficamos à Vossa disposição para o apoio que julgar necessário.
Wellington Dias em ofício a Bolsonaro

O clube estava com pré-temporada marcada na Turquia, quando explodiu ao conflito. A cidade onde as jogadoras vivem tem a fronteira mais próxima com a Moldávia, mas que fica a algo em torno 470 km de rodovia. No entanto, fazer o trajeto de carro não é uma opção segura por conta da escalada russa na região (que é próxima à Crimeia).

Imagem: Arte UOL

A fuga por trem também foi descartada porque a estação mais próxima fica a cerca de uma hora do local onde estão.

Pretendemos sair, mas quando tivermos uma segurança para isso. Não tentamos porque o clube não permitiu nossa saída. Eles disseram que, por enquanto, a nossa cidade ainda é mais segura do que tentar sair na rua, que é perigoso.
Kedma Araújo

Ela explica que tem se guiado apenas por informações repassadas pelo clube em que jogava. “Não tenho informação de ameaças por aqui. Eu não tenho contato com as autoridades aqui, não faço parte de grupos daqui, somente o do clube —que deve receber essas informações”, relata.

A jogadora conta que procura sempre estar em contato com a família no Piauí, e tenta tranquilizar a todos —que concordam que o melhor a fazer agora é ficar aguardando a situação melhorar.

“No momento [ontem], por não está tendo ataques e por estarmos em segurança, eles disseram que tentar sair sem ajuda não é o certo a se fazer”, diz. A jogadora afirma ainda que o hotel onde estão tem um bunker para o caso de necessidade de refúgio em momentos de ataques. “O hotel é seguro”, diz, citando que não pode dar nome, nem tirar fotos no local. “Não posso divulgar fotos do local onde estamos por segurança nossa mesmo”.

Ela conta que, mesmo com as instruções e aparente calmaria, não se sente totalmente em segurança e se apega à fé. ‘Segura no meio disso tudo nunca estamos. A nossa segurança maior é Deus”.

No momento o meu pensamento é somente de retornar para a minha casa e para os meus familiares
Kedma Araújo

UOL

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