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Alerta veio de representante farmacêutico, durante workshop sobre medicamentos falsificados do MPPB.

Na busca de consumir um medicamento para tratar de suas doenças, deslumbrando uma cura ou alívio para os seus males, muita gente pode estar ingerindo pó de giz, cera de chão, tinta de asfalto, cimento, pó de tijolo, tinta de parede, graxa para sapatos, ácido bórico e até arsênico. Ou seja: na busca pela cura, muitos podem encontrar a morte. Os produtos falsificados também podem apresentar ausência ou excesso de ingredientes ativos, além de simuladores de reação adversa.

O alerta é da representante da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), Tammy Dias, durante sua palestra ‘Visão Geral Sobre Produtos Ilegais – Impactos ao Paciente’, proferida na tarde desta quinta-feira (16), durante o workshop ‘Combate à Falsificação de Medicamentos’, promovido pelo Programa de Proteção e Defesa do Consumidor do Ministério Público da Paraíba (MP-Procon), com o apoio do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) do MPPB, da Escola Estadual do Consumidor da Paraíba, da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), da Interfarma, do Unipê e do Procon da Assembleia Legislativa.

“Esse produtos nocivos à saúde, utilizados como se fossem ingredientes, são encontrados em diversos medicamentos aprendidos em várias partes do mundo, inclusive no Brasil”, revelou Tammy Dias, informando que na América Latina o país apontado com o maior número de laboratórios clandestinos de medicamentos é a Colômbia. “É um crime altamente lucrativo”, ressalta ela, acrescentando: “A falsificação de medicamentos é mais lucrativa do que a fabricação de drogas”.

O evento, realizado durante todo o dia desta quinta-feira no Auditório Procurador de Justiça Edigardo Ferreira Soares, no edifício-sede do MPPB, em João Pessoa, faz parte do Programa de Prevenção a Acidentes de Consumo, desenvolvido pelo MP-Procon no estado, foi voltado para os profissionais que atuam em órgãos de fiscalização e combate ao problema, como agentes da Vigilância Sanitária, fiscais dos Procons estadual e municipais, dos Conselhos Regionais de Medicina, Enfermagem e Farmácia, policiais civis, militares e federais.

Itens de segurança
Na parte da tarde, o workshop contou com a participação de representantes de quatro grandes laboratórios farmacêuticos que atuam no país – Lilly, Sanofi, Bayer e MSD – para tratar, de forma prática, do tema ‘Combate à Pirataria de Produtos Sujeitos à Vigilância Sanitária (Anvisa)’. Os consultores Janaína Thomal (Lilly), Marco Falcão (Sanofi), Tammy Dias (Bayer) e Eduardo Moreira (MSD) demonstraram, de forma prática, a comparação entre medicamentos falsificados e originais.

Para dificultar as falsificações, os laboratórios têm desenvolvido itens de segurança, como lacres especiais, selos holográficos, tintas reativas (a raspadinha), colas especiais utilizada pela indústria farmacêutica nas embalagens. “Todo laboratório tem seu departamento especializado para desenvolver itens de segurança. Temos que tentar estar um passo à frente dos falsificadores”, revelou a farmacêutica e consultora do Laboratório Lilly, Janaína Thomal. “Por segurança, temos mudado as embalagens dos medicamentos a acada três anos. É uma corrida de gato e rato”.

O Laboratório Lilly é o fabricante do medicamento campeão de falsificações no Brasil: o Ciallis, para disfunção eréctil. “Só para este medicamento, desenvolvemos 22 itens de segurança. Alguns desses itens nós divulgamos para que o consumidor possa identificar a falsificação. Outros são ocultos e não divulgamos, para que nós possamos identificar quando recebemos amostras para análises”, explicou Janaína Thomal.

WSCOM Online