Ele não existia. Em algum lugar invisível a olhos nus, passou a existir. Alguém passou por ele e como a lua cheia ou num eclipse sua forma apareceu, até parece que do nada. Formou-se e tomou corpo e sinergicamente achou os seus locais, a sua circulação. Que local? Que caminho? Para onde seguir? O que seguir? Não saber, não atrapalhar o curso de sua profissão; confusão que confesso derramar-se no ódio; na dor; no clamor. Na vida se encontra alguma coisa que se discute, que se percebe. Percepções da raiva que se enraizou, que vagarosamente não se percebeu o seu enraizamento. Não há dor, onde ele não existe. Não há prazer onde não se cruza com o seu caminho. Não se percebe a sua relação com a existência até que ele aparece. As considerações sobre si; a sua cor; a sua solidez que não existe; líquido se forma e desaparece em vapor. Penetra as raízes dos corpos que sem sentir a dor, exalam a tristeza e a parte desnuda da realidade existente, igual qualquer coisa que existe. A raiva ou falta de prudência enobrece a sua aparição, pois não se sabe em qual momento que aparece. A marca deixada, as maldições de sua triste aparição, revela a fragilidade existente nas existências que existem há séculos. Habita nas casas; nas vidas. Em quais vidas? Em quais casas? Andando e procurando uma sinergia entre a razão e a loucura pode encontrar o íntimo do sentido, a sua existência, se é que existe. Os pais exclamam a sua dor, como em um sentimento de pertencimento pelo o espiritual sentido de sua aparição, como se nunca existisse o seu lugar. Poucos sabem. Poucos entendem. Muitos ignoram. Outros só se entregam aos motivos de sua aparição, como se fosse a melhor profissão a existir. É profissão? Não. O porquê, algumas pessoas sabem. Vislumbrar a tristeza que nos incomoda. A vida segue sem seguir em uma direção esperada, pois espera que ela siga uma aparente eternidade. Porém, é aqui que passa rápido como um pensamento. Pensar, entender, compreender, a ideia da sua enegrecida forma ao secar; ao desfazer-se; desintegrar-se da realidade. Constroem meios para desnudar a sua imagem, no intento de exprimir a sua essência; prevalência, que se torna um holofote para atrair a muitos. Que dói. Que faz lágrimas rolar dos olhos. Olhos que se fecham para não mais abrir e que abrem para não mais fechar; que putrefez o prazer de sua existência; que deixa a saudade vaguear pelos caminhos do coração. Até que a terra encobre todo mal não registrado pelas letras normais. Sumiu. A água levou e o amor permaneceu; o tempo apagou e o sentimento alvoreceu, por um tempo longe, até que o movimento de formas incertas refaça-se para desfazer a realidade e tudo se tornar novamente como era. Numa intrínseca ligação entre o existir e a inexistência de ser, do ser e da realidade que caminha para um triste e profundo vaguear dos pensamentos e das incertezas.

Redação/Portal Araçagi

 

Álef Mendes – Graduando em História pela Universidade Estadual da Paraíba