A maioria das pessoas diagnosticadas com Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2), apresenta sintomas leves, a ponto de muitas vezes nem conseguir identificar o problema — isso acontece porque nosso corpo percebe a entrada do patógeno e contra-ataca, produzindo anticorpos.

Quem apresenta sintomas mais graves, entretanto, relata incômodos como falta de ar, cansaço, fraqueza, febre, tosse, dores de cabeça e no corpo antes de se recuperar da doença.

Dos que testam positivo para a Covid-19, enquanto alguns precisam ser internados (por vezes até precisando de cuidados nas Unidades de Terapias Intensivas dos hospitais); outros, com sintomas mais leves, recuperam-ser em casa, em quarentena por 14 dias.

Leia, abaixo, relatos de quem se curou da Covid-19:

‘A parte mais difícil foi ficar longe da Maria’

Natália Kairala, 27, médica, de Brasília (DF)

“Eu comecei a sentir dor nas costas, dor nas pernas e ficar muito prostrada. A gente começou a fazer [contagem]regressiva. Ela me ligava e dizia: faltam 3 dias para a gente se ver, mamãe. A parte mais difícil foi ficar longe da Maria. Foi muito, muito difícil. A gente sempre ficou juntinhas, por mais que meu trabalho exija muito, eu sempre me dediquei a ela.”

‘Limite entre a vida e a morte é muito tênue’

Carlos Augusto Costa, 57, engenheiro eletrônico, de Recife (PE)

“O limite entre a vida e a morte é muito tênue. Eu não tive tosse. Tive febre, senti o corpo mole e muita dor de cabeça. A temperatura ficava entre 37,9°C e 38,5°C e eu não conseguia dormir. É uma roleta russa, algo que pode acontecer com qualquer um. Eu via toda hora gente morrendo, gente que era mais nova que eu. Eu ando, eu tenho uma alimentação saudável. E me vi na cama, no hospital, com a possibilidade de não voltar. Está muito próximo da gente. Você pode ser forte, mas a pessoa que está ao seu lado pode não ser. Eu vivi. Eu senti e posso dizer com o meu coração: fiquem em casa.”

‘No estado em que cheguei aqui, não podia nem falar”

João Mariano, de 77 anos, de Curitiba

“Eu fico muito contente porque, no estado em que cheguei aqui, não podia nem falar. A gente foi muito bem tratado e graças a Deus posso dizer que estou novo. Estou bom.”

‘Sensação de que ia morrer’

Joper Fonseca Júnior, de 54 anos, médico infectologista, de São José dos Campos (SP)

“Você quer saber minha idade após ter renascido da Covid-19 ou a outra? Por ser médico e entender como é a UTI, esse era meu maior medo. O medo de sofrer. Sei todos os passos, como funciona a entubação e ficava pensando nisso. Não subestimem o potencial desse novo coronavírus. Todo mundo tem que ter cautela. Não importa a idade. É hora de ficar em casa, quem puder.”

‘Fiquei em coma por 7 dias’

Hudson Ricardo Alves dos Santos, de 43 anos, executivo, de Cubatão (SP)

“O médico subiu em cima de mim para eu parar de me debater e pedia para eu respirar. Nesse momento, perdi a consciência. Fiquei em coma por sete dias. Comecei a perceber que uma mulher cantava baixinho, mas perto de mim. Eu não entendia nada, mas conseguia ouvir. Comecei a cantar junto, mas na minha cabeça. Aí me dei conta que não conseguia abrir os olhos. No sétimo dia, acordei e fui recebido por aplausos.”

‘Dormia sem saber como ia acordar’

David Uip, de 67 anos, médico e coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus de São Paulo

“Então, esse sentimento de você se ver como médico, infectologista, com uma pneumonia sabendo que, muito provavelmente, entre o sétimo e décimo dia ia complicar, eu quero dizer para vocês que foi um sentimento muito angustiante, você ir dormir sem saber como ia acordar. É o testemunho de quem já esteve com a doença, não é brincadeira.”

‘Me sinto um pouco quase um super-herói, como o Wolverine’

Anna Poloni, de 33 anos, médica, de São Paulo

“Embora ainda não exista nenhuma pesquisa que possa afirmar completamente que não terei novamente a doença, me sinto um pouco mais protegida que os outros, quase um super-herói como o Wolverine. Talvez seja uma defesa psicológica, de quem já passou por tudo isso e saiu viva. O fato é que estou mais firme e isso ajuda a dar força aos outros colegas.”

‘Ataca o nosso espírito’

Bosco Couto, de 49 anos, consultor de marketing, de Fortaleza

“Ficar nesta hora isolado totalmente só, sem ninguém seu por perto, é muito ruim. Tive medo de não me despedir das pessoas. Esta é uma doença forte e cruel, pois além do corpo, ela ataca o nosso espírito. Ficar isolado não é fácil, não ter certezas não é fácil e ficar sem ar é desesperador.”

‘Efeitos colaterais do remédio fizeram muito mal’

Stella Cristina Bião, de 57 anos , de Salvador

“Vivenciei momentos muito difíceis que jamais imaginei um dia experimentar. Os efeitos colaterais dos medicamentos me fizeram muito mal.”

‘A gente dá mais valor ao abraço’

Francisco Freire, de 24 anos, biólogo, de Linhares (ES)

“Foi uma aflição, porque é um vírus bastante poderoso que tem uma contaminação rápida e não precisa de um hospedeiro para transmiti-lo. O coronavírus não pode ser tratado como uma ‘gripezinha’ e pode fazer o nosso sistema de saúde entrar em colapso.”

‘Mexe muito com o psicológico e com o físico’

José Agostinelli, empresário, de Gravatal (SC)

“Passei dias terríveis dentro do hospital porque o isolamento mexe muito com o psicológico e com o físico da pessoa. A pessoa está debilitada.”

‘União de 42 anos de casados’

José Roberto Reducino, de 64 anos, de Campinas (SP); a mulher dele, Eunice Reducino, de 63 anos, também teve a doença

“Eles tiveram a brilhante ideia de trazer a gente para o mesmo quarto, isso nos encorajou muito. A nossa união de 42 anos de casados, o cuidado e o carinho um com o outro, ajudou bastante a gente. Eu tinha muita dor, aí via na TV muita gente morrendo, aí entrou o medo da morte. A gente deita, tem falta de ar, vai andar, não consegue respirar. Vai falar, corta a voz. A sensação é que você está afogando sem água, um afogamento dentro do pulmão. É horrível.”

‘Existe vida após o vírus’

Cláudio Oderich, de 61 anos, vice-presidente do Grêmio, de São Leopoldo (RS)

“Fiz a quarentena junto com a minha esposa, meu filho, minha nora, sobrinhos, família. Cumprimos todas as regras da vigilância, fizemos isolamento residencial e foi bem tranquilo. Sofremos bullying. Mas estamos bem e podemos dizer que recuperados. Queria deixar esse recado para as pessoas: existe vida após o vírus.”

‘Desacelerou o mundo e trouxe de volta para casa a família’

Nayana Oliveira, psicóloga e escritora, de Goiás

“Interessante pensar que o coronavírus, um vírus que ocasionou um surto de doença respiratória, desacelerou o mundo e trouxe de volta para casa a família. Não só isso, mas que exige o isolamento como tratamento proporcionando ao indivíduo a oportunidade de ficar próximo de si mesmo.”

‘Oportunidade de refletir como ser uma pessoa melhor’

Renata Berenguer, de 30 anos, advogada, de Recife (PE)

“O que precisa ser feito é o isolamento. É esse gesto de amor. As pessoas vão sentir dor de cabeça e outros sintomas achando que não é nada. A única coisa a fazer é ficar em casa. Só nos resta isso. É uma oportunidade de refletir como ser diferente, como ser uma pessoa melhor.”

Fonte: G1

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