sp1111Pelo menos duas pessoas precisam de atendimento médico; profissional do SporTV é intimidado durante a transmissão do jogo; tenente da PM admite superlotação.
Membros de uma torcida organizada do São Paulo entraram em conflito com policiais militares, seguranças e membros da Guarda Municipal de Mogi das Cruzes durante o intervalo do jogo entre o Tricolor e o Rondonópolis, pelas oitavas de final da Copa São Paulo, no estádio Nogueirão. O time da capital paulista venceu a partida por 4 a 0.
A confusão ocorreu no portão próximo ao setor onde estava a organizada do Tricolor, atrás de um dos gols. O motivo foi a superlotação. Os guardas e seguranças ficaram acuados, enquanto vândalos usavam paus, barras de ferro e até lixeiras para tentar atingi-los.
Policiais Militares que estavam fora do estádio entraram no conflito com balas de borracha e bombas de efeito moral. O gás rapidamente se espalhou por todo o estádio, lotado para ver o time do São Paulo em ação pela primeira vez no local.
De acordo com membros de uma empresa de segurança particular, contratada pela Federação Paulista de Futebol, a confusão começou porque havia muita gente do lado de fora do estádio tentando entrar com a ajuda de quem estava dentro. Vale lembrar que não há cobrança por ingressos na Copa São Paulo de Futebol Júnior – entra quem chega primeiro. A confusão foi iniciada por quem chegou depois e forçou a entrada.
O estádio atingiu a lotação máxima, e um número grande de indivíduos ficou do lado de fora. Em um determinado momento que a administração precisou abrir para alguns funcionários saírem, houve tentativa de invasão e um primeiro confronto com o efetivo da Guarda Civil de Mogi das Cruzes que estava fazendo a segurança no interior do estádio – disse o Tenente Carneiro, comandante da Força Tática da Polícia Militar de Mogi das Cruzes.
– A PM foi acionada, que estava fazendo o policiamento externo do estádio, e tentamos dispersar os indivíduos para cessar a agressão contra o pessoal da Guarda. Houve necessidade de usar os meios disponíveis – completou o Tenente, referindo-se a bombas de efeito moral).
Pelo menos duas pessoas precisaram de atendimento médico: um senhor holandês, que seria observador do Chelsea e tem problema cardíaco (81 anos e cinco pontes de safena) e uma criança que desmaiou durante a confusão.De acordo com o Tenente Carneiro, “tanto policiais militares quanto guardas civis foram socorridos com ferimentos superficiais, mas nada mais grave”. Ele disse que ninguém foi detido.
O confronto entre membros da organizada e policiais não parou nem depois do reinício do jogo. Os vândalos conseguiram acuar os responsáveis pela segurança do estádio, tirando-os completamente do setor. Bombas continuaram estourando durante os primeiros dez minutos do segundo tempo, sendo atiradas de fora para dentro.
Um cinegrafista do SporTV foi ameaçado por membros da organizada, para que parasse de gravar a confusão. O delegado da partida, Miguel Barbosa, disse que o problema fora de campo não interferiu no andamento do jogo – por isso, ele continuou “normalmente” no segundo tempo.
Foi só por volta dos 15 minutos da etapa final que a situação se acalmou, já com o estádio parcialmente vazio, pois muita gente decidiu ir embora para casa. A Federação Paulista de Futebol lamentou o ocorrido e prometeu investigação.
– A torcida do São Paulo é muito grande, e hoje não foi possível todo mundo entrar. A organização precisa rever isso. Acho que não esperavam tanta gente aqui – disse o técnico do São Paulo, André Jardine.
Via – Globo Esporte