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      Araçagi dos araçás, dos nativos e europeus, de homens e mulheres fortes, humildes e acolhedores. Terra de inscrições rupestres na Lagoa do Caju, de gente sincera que mal conhece sua história. Terra de religiosidade, que ostenta desde seus primórdios.

         Araçagi dos finais do século XVIII – século do ouro nas Minas Gerais, da entrada ao sertão pelos europeus com a pecuária – serviu como local de descanso, de pousada e, ainda serve, para os idosos e para quem não gosta de uma vida muito agitada. Araçagi da nação Tupi, dos grupos indígenas Tabajaras; Araçagi dos portugueses: desbravadores, ocupadores, benfeitores e mal feitores. Araçagi da mestiça Francisca, do português Manoel, terra da Sagrada Família as margens do Rio Araçá.

         Araçagi de vários cultos, da ciranda, da lapinha, do reisado, do carnaval das burrinhas de Luiz, que não existe mais. Araçagi dos polêmicos, dos calmos, dos agitados, dos conservadores.

        Araçagi de Geraldo Espínola e José Pessoa Sobrinho, senhores que governaram primeiro, Vanildo Lívio Ribeiro Maroja, primeiro prefeito eleito. Araçagi do José, do Manoel, do Antônio, do Francisco, da Maria; Araçagi de Abigail de Melo, professora, de Ademar Bandeira, de Benjamim Rosa: o homem das pedras portuguesas.

         Araçagi das tradicionais festas: São Sebastião, Cavalgada; Araçagi: grande mãe que adota filhos vindos de outras terras.

         Araçagi de tantos que passaram e de muitos que virão; Araçagi do passado, do presente, do futuro; Araçagi: que é minha, sua, nossa terra; Araçagi dos araçás, dos araçagienses.

Por que?

Por que não nos preocupamos com a cultura de nossa cidade que esta acabando, se não acabou; por que não nos preocupamos com o  passado, será  que já passou tanto, que já passou?

Onde estão as cirandas, danças tão típicas das festas juninas  de nossa cidades; onde estão as lapinhas do jovens de 1980 e mais, hoje dito como velho. Onde estão os reisados tidos hoje como festa de velhos e o carnaval tido como mudança de mentalidades; cada um com um carnaval que lhe caiu bem, como se fosse uma roupa .

Onde estão as festas das filarmônicas que davam bom dia ao povo? E o povo que queria ouvir as filarmônicas? Filarmônicas que abrilhantavam as festas de Araçagi, hoje servem como meia cantoria; mentalidades de ontem e de hoje dão um significado diferente.

Somos um mundo em constante mudança; de descobridores para levantadores de lençóis, da independência para uma mera mudança de nomes, as mentalidades estão mudando, o povo muda sua opinião.

Seria bom que o povo de Araçagi também fizesse a pergunta: de onde viemos? Os historiadores de plantão poderia dizer da planta Araçá, ou de alguns índios que habitavam por aqui. O que se sabe é que o Araçá existe, ou está sobrevivendo.

Alan Santos

Acadêmico de História