Lá estava o moço livro, ou estava lá o livro moço? Na estante expressava a importância em seu dorso. Era um livro, bem novo, recentemente ali chegara, trazido por braços que envolvem a mente faminta pelas letras; a vida que se abre e desabrocha para exalar o entendimento que ardentemente deseja, ou dele o rebento do seu estado de relva inicial, das águas que aos seus pés, anteriormente,
despejava-se, ao se tornar da vida, o manancial.

A vontade ardeu no peito: vai lá sentir o exalar; ler o falar, a essência que o bom odor expressa. Um momento, três passos; um pegar, um cheirar, um lembrar, antes de ler e de expressar. O cheiro, um dos sentidos, abriram outros, dos quais a vida, o percurso, os encantos, construíram caminhos diversos. Fechar os olhos, não mais pensar no presente. Desvendar o passado, rasgar a cortina que lhe encobre como em um quarto escuro.

As lembranças vinham; as cenas passavam aos olhos fechados; debruçaram a inclinação de reviver o vivido e rever o desfecho daquilo que no “presente exato”, já não mais existia. Delírio, visão, sonho, distração da realidade. Não sei, revivi. Surgiu o que antes estava no obscuro da mente; em locais inativos que ativos foram pelo exalar do novo. Confusão mental que foi agrupada no interior da realidade, ensinadora dos sentidos humanos.

Percebia-se crianças brincando; pessoas que lideravam realidades difusas em brincadeiras e aprendizagens. Jovens que riam e expressavam satisfação, por uma realidade fora do presente. Exalavam felicidade por uma realidade futura, que ainda não entendiam, pois não sabiam como ocorreria. Dislexia, alguns; sem conhecer e querendo saber, outros; e ele, o eu, em seu eu interior, ao pegá-lo nas mãos, o bom odor exalava ao abri-lo, e refletia: como me orgulho de ter ele e lê-lo ainda novo!

Álef Mendes – Graduando em História pela Universidade Estadual da Paraíba

 

Da Redação/Portal Aracagi