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Por Belarmino Mariano*

Duas grandes reviravoltas ocorreram na política de Guarabira entre os meses de junho e julho de 2020. A primeira foi a morte do prefeito Zenóbio Toscano, a maior liderança política do PSDB na região e uma das maiores lideranças políticas da Paraíba. A segunda foi a grande articulação política do Ex-governador Roberto Paulino (MDB) com o atual governador do Estado, João Azevedo, ex-PSB e atual Partido Cidadania.
O atual prefeito de Guarabira, Marcos Diogo (PSDB), que já estava na pasta, devido as complicações de saúde do Prefeito Zenóbio, não tem como herdar a liderança política do grupo, pois esta já se encontrava nas mãos da ex-deputada Lea Toscano e sua filha, a Deputada Estadual Camila Toscano (PSDB). Mas como a família Toscano não poderá apresentar nomes da família para a disputa eleitoral de 2020, devido as regras eleitorais, irá apostar em Marcos Diogo como o potencial candidato do Grupo.
O mais complicado para o grupo do atual prefeito e pré-candidato pelo PSDB, foi o racha político que o grupo sofreu ainda sob o comando do ex-prefeito Zenóbio, que, perdeu de sua base e dos seus quadros de apoiadores, o atual pré-candidato Teotônio (PDT), além de vereadores e líderes políticos locais que passaram a seguir Teotônio e sua esposa, a vereadora Neide de Teotônio (PDT). Esse é um problema para ser equacionado pela matemática política de Guarabira, pois a pré-candidatura de Teotônio se fortaleceu muito nos últimos meses e também se revindica enquanto oposição ao atual prefeito.
Vale salientar que o grupo político de Teotônio (PDT), incluí o vereador Marcelo Bandeira, ex-grupo girassol e atualmente vereador pelo PDT, que também é o partido da Vice Governadora Lígia Feliciano (PDT), o que em tese dá uma significativa vantagem ao grupo político, que já entrou em campo desde o começo do ano.
Do outro lado do campo político, haviam duas grandes indefinições locais que giravam em torno de uma pré-candidatura do MDB, onde eram mencionados diferentes nomes, tendo o Deputado Estadual Raniery Paulino, seu pai Roberto Paulino, entre outros pré-candidatos.
A outra pré-candidatura do ex-grupo girassol que estava vinculado ao PSB local e com o rompimento entre o ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) e o atual governador João Azevedo (Cidadania), o grupo girassol foi desfeito e a maioria dos seus membros, passou a integrar o Partido Cidadania. Despontava como pré-candidatos pelo Cidadania, inicialmente três nomes: Célio Alves, Beto Meireles e Josa da Padaria. Mas, com o declínio das pré-candidaturas de Célio Alves e Josa da Padaria, restou o nome de Beto Meireles, ambos aliados políticos do governo estadual e com um cenário anterior de quatro candidaturas para prefeito, o que em tese corroborava com o grupo do atual prefeito Marcos Diogo (PSDB).
O fato novo na política de Guarabira, foi a capacidade de articulação do Ex-governador Roberto Paulino (MDB), com o atual governador João Azevedo (Cidadania), atraindo para um unidade das oposições locais, com desdobramentos políticos que já alteraram profundamente a correlação das forças políticas locais.
Com essa mexida no tabuleiro do xadrez político de Guarabira, na hora certa, o ex-governador Roberto Paulino e o atual governador João Azevedo se fortaleceram, tanto agora, quanto em futuras articulações em nível estadual, pois depois de João Pessoa, Campina Grande e do Sertão, a região de Guarabira se torna o quarto maior polo político do Estado. Essa aliança em Guarabira, também poderá interferir diretamente em outros pleitos ao longo da Paraíba. Mas vamos nos conter em analisar a conjuntura política em Guarabira.
Os dois grupos políticos tradicionais e mais fortes da cidade, sempre foram o MDB da tradicional família Paulino (PMDB) e a família Toscano (PSDB), que localmente foi um racha do antigo PMDB dos Cunha Lima e José Maranhão e, que em em Guarabira, passou a ser liderado por Zenóbio Toscano.
Com a morte de Zenóbio, em 14 de junho, vitimado pelo Covid-19 e outras morbidades, O PSDB local perdeu muito do poder de articulação política e, mesmo que sua esposa e filha estejam conduzindo os rumos do grupo, acho difícil que consigam dissolver eventuais candidaturas como a Teotônio (PDT), nesse momento, a pré-candidatura do PSDB, que, ainda não conseguiu mitigar os problemas da cidade, terá fortes dificuldades para reverter a atual aliança entre o MDB e o grupo político do governador João Azevedo em Guarabira.
Os desdobramentos dessa aliança entre MDB e Cidadania afetam diretamente os interesses do poder local em relação as políticas públicas estaduais, pois até o momento, os dois grupos políticos que sempre conduziram a política municipal, se encontravam em oposição ao governo de João Azevedo, mas com essa aliança, João Azevedo conseguiu distensionar essa correlação de forças e ganhou um importante aliado político que tem influência regional, tendo distensionado também as relações dentro da Assembléia Legislativa.
Todos sabemos do resultado da última eleição para Prefeito de Guarabira em 2016, quando o a disputa contou com Fátima Paulino (PMDB), Zenóbio Toscano (PSDB), Josa da Padaria (PSB) e Belarmino Mariano (PSOL). Naquela disputa, na correlação de forças, quem estava dividido era o grupo Paulino, pois tinha Josa, que sempre fora aliado político, como adversário direto de Fátima. O Prefeito e candidato Zenóbio, que contava com o total apoio de grande parte do atual grupo de Teotônio, levou larga vantagem e foi eleito justamente pela diferença de votos obtidos entre Fátima e Josa, que somados teriam elegido Fátima Paulino com folga.
No atual cenário, depois da aliança entre o MDB/Cidadania haverá uma forte inversão de forças, com a união entre Roberto Paulino, Josa da Padaria, Beto Meireles, Célio Alves e um grande grupo de outros partidos que já estavam nas bases dos dois grupos, além de outros potenciais apoiadores independentes que poderão se juntar a Roberto Paulino, até o dia 16 de agosto, o quadro político é outro.
Como fica a situação do pré-Candidato Teotônio (PDT) no atual cenário? Talvez, esta seja a grande interrogação de toda a eleição. Pois apesar de Teotônio e sua esposa, a vereadora Neide (PDT), serem identificados como ex-base do antigo grupo de Zenóbio Toscano, a vereadora Neide de Teotônio, fez uma grande mandato enquanto parlamentar, com um trabalho sem maculas e com significativa moralização da política legislativa, principalmente quando foi a presidente da Câmara de Vereadores de Guarabira.
Com o grupo de Teotônio, também não podemos desprezar a força política de alguns vereadores, entre eles, Marcelo Bandeira , em especial, pela atuação nas áreas rurais do município, locais onde os eleitores tendem a manter uma fidelidade política muito forte. Mas nesse balanço dos pesos eleitorais, Teotônio divide predominantemente os votos com Marcos Diogo (PSDB).
O Grande desafio para Teotônio será: Se manter como um novo nome para disputar um mandato de prefeito, se apoiando na história que construiu ao longo dos anos, como advogado e pessoa de origem humilde, que venceu na vida com estudo e trabalho, para convencer os eleitores locais.
Não sei se o discurso em bater na gangorra política será uma boa estratégia para Teotônio, até porque, os grupos que se apresentam para a disputa, de alguma maneira, sempre estiveram em um dos lados dessa gangorra política dos Paulinos e dos Toscano, que perdura por mais de 40 anos.
Outro aspecto negativo para a provável candidatura de Teotônio e Marcos Diogo é a identificação de um possível grupo bolsonarista que, ficou sem partido e se dividiu entre Marcos Diogo e Teotônio, pois diante dessa pandemia e das desastrosas políticas do atual governo federal, colar nesse pessoal da extrema direita de Guarabira, poderá ser um forte prejuízo político para o candidato majoritário.
O outro fato a ser considerado, nos permite pensar no nível de consciência dos eleitores locais, em sua grande maioria, extremamente dependentes de emprego, renda, educação e saúde e que na hora do toma lá dá cá, podem comer de quem têm para oferecer, mas se manter fiel as tradições políticas da velha Guarabira, pois para o povão, na hora do vamos vê, Partido é bolo, pão, conta de energia, água, emplacamento e notas de 50, 100 ou 200 reais na mão.
Ainda, correndo por fora, temos uma provável pré-candidatura do Zé Costa (PT), mas não sabemos, até que ponto se viabilize, pois em Guarabira, grandes alas do PT, sempre se mantiveram aliadas do grupo Paulino (MDB), desde os períodos em que o grupo deu forte apoio político as candidaturas presidenciais de Lula e Dilma, inclusive, tendo conseguido trazer para Guarabira importantes equipamentos urbanos como quase todo o asfalto da cidade, o IFPB campus Guarabira e a UPA, além de centenas de programas e equipamentos que beneficiaram Guarabira em gestões federais do PT nacional.
Acredito que, até o dia 16 de agosto muita água vá rolar por debaixo da ponte política de Guarabira, mas essa definição de unidade política do MDB com o Cidadania, grupos que se reivindicam como oposição, mexeu profundamente com os rumos da política guarabirense. Nestes termos, um forte articulador político dessa união é o Deputado Estadual Raniery Paulino (MDB) que faz um mandato parlamentar completamente independente do governo estadual e da prefeitura de Guarabira, que sempre esteve em todos os cenários como um forte candidato, mas na hora H, demonstrou maturidade para, abrir mão da vaidade política e juntamente com seu paí, conseguiu costurar uma Aliança que não estava sendo vislumbrada por quase ninguém.
Esta semana estava conversando com o amigo Raminho Talibã, que será pré-candidato a vereador pelo Partido Cidadania, justamente sobre as voltas e reviravoltas que a política dá e, por mais tradicionais ou renovados que sejam os grupos políticos, os apostadores apressados, podem quebrar a cara, no dia 16 de dezembro.
Em tempos de pandemia do Covid-19, quem quiser votar tranquilo no dia 15 de novembro precisa se cuidar, usar mascara, álcool gel e respeitar bem o isolamento social e político, pois de 15 de agosto a 15 de novembro, são apenas 30 dias e muita atenção aos que de fato, apresentarão um projeto político para Guarabira.

*Belarmino Mariano Neto, Prof. Dr. da UEPB, Campus Guarabira. Professor de Teoria da Geografia, Geografia Política e Geopolítica.

(Este texto poderá ser republicado em parte ou na integra, desde que seja respeitada a fonte e autoria).

Graduação: Licenciatura Plena em Geografia pela Universidade Federal da Paraíba (1993), Especialista em Geografia e Território pela UFPB/DGEOC (1995).

 

Redação/Portal Araçagi