A barbárie no brasil estabelecido pela dualidade social – Por Raylson Soares

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A memória nos faz lembrar-se de fatos ocorridos no Brasil no início do século XX, do hospital “O Colônia”, tido como o maior hospício do país.

Crédito das imagens: Luiz Alfredo

Entretanto, com um belo trabalho produzido pala autora, Daniela Arbex, intitulado como Holocausto Brasileiro: vida, genocídio e 60 mil mortos no maior hospício do Brasil, pode-se perceber a omissão e perversidade de pessoas que defendiam seus interesses para a execução de medidas cruéis que atingiam tão somente as minorias.

De acordo com Arbex (2013), o Colônia, localizado na cidade de Barbacena/MG, foi palco de uma verdadeira carnificina, em cinco décadas, entre os anos de 1930 a 1980, aproximadamente 60 mil pessoas morreram em um ambiente estruturado para atender 200 pessoas e que comportavam 5 mil. Não obstante, 70% dos internos não sofriam de doenças mentais, muitos dos quais internados compulsoriamente pelo simples fato de estarem alcoolizados, outros por motivo de tristeza, epilepsia, como também mulheres que eram deixados pelos seus esposos porque estes passariam a ter amantes. Era uma verdadeira limpeza social que os “donos do poder” estabeleciam com as classes ditas por eles, “inferiores”, que, por sua vez, não tinham direito de fala, preso a um silêncio imposto institucionalmente, ficando a mercê da repressão, como choques elétricos e medicamentos como forma de intimidação para que o silêncio se perpetuasse na instituição.

Conquanto, a realidade é que ainda nos dias atuais ocorrem corriqueiros fatos semelhantes, como diz a própria autora do referido livro, “ontem foram os loucos, hoje os indesejáveis são os pobres, os negros, os dependentes químicos, e, com eles temos o retorno das internações compulsórias temporárias”, portanto, a mesma completa, “enquanto o silêncio acoberta a indiferença, a sociedade continuará avançando em direção à barbárie”.

Contudo, na sociedade em que vivemos, não podemos negar a existência do preconceito estrutural, visto que permanece de forma cruel, todavia a dualidade social no Brasil é vista explicitamente na divisão simples de quem mora na cidade e de quem mora na periferia, nas desigualdades de rendas, bem como na própria dualidade no ensino das escolas.

REFERÊNCIAS:

ARBEX, Daniela. Holocausto brasileiro / Daniela Arbex. – 1. ed. – São Paulo: Geração Editorial, 2013. Disponível em: https://app.uff.br/slab/uploads/Holocausto_brasileiro_vida,_genoc%C3%ADdio_e_60_mil_mortes_no_maior _hosp%C3%ADcio_do_Brasil.pdf. Acesso em: 09 de novembro de 2019 às 15:45h.

Raylson Soares, Graduando em História pela Universidade Estadual da Paraíba, Campus III – Guarabira-PB.

Da Redação/Portal Araçagi

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