Vereador e miliciano estão envolvidos na morte de Marielle, diz testemunha

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(Foto: Reprodução)

Testemunha chave, que está ameaçada por milícia da Zona Oeste, fez revelações à polícia sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista, Anderson Gomes.

Em três depoimentos, cujo teor foi obtido com exclusividade pelo GLOBO, ela relatou reuniões entre um miliciano, que hoje está preso em Bangu 9, e um político do Rio. 

As conversas, que tratavam dos prejuízos causados pelo combate da vereadora ao avanço de grupos paramilitares em comunidades de Jacarepaguá, começaram ainda no ano passado.

Nos depoimentos, além do político e do chefe da milícia, também foram mencionados os nomes de outros integrantes do bando, que teriam participado da execução.

Relatos – O homem, que deu três depoimentos à polícia, trabalhou como segurança do miliciano por dois anos e teria participado de encontros entre os dois. Um deles aconteceu em junho do ano passado, em um restaurante no Recreio dos Bandeirantes. “O vereador falou  bem alto: ‘Tem que ver a situação da Marielle. A mulher está me atrapalhando. Depois, bateu forte com a mão na mesa e gritou: ‘Marielle, piranha do Freixo’. Depois, olhando para o ex-PM, disse: ‘Precisamos resolver isso logo”, declara a testemunha, apontando que o vereador em questão é Marcello Siciliano (PHS) e o ex-PM e miliciano é Orlando Oliveira de Araújo, conhecido como Orlando de Curicica.

Negócios em conjunto – Segundo a testemunha, o miliciano e o político possuem negócios em conjunto, em um esquema que envolve pelo menos mais 15 pessoas. “Fui coagido: ou morria ou entrava para o grupo paramilitar. Virei uma espécie de segurança dele. Também ficava responsável por levar o filho para a escola; acompanhava a mulher de Orlando para compras em shoppings”, revela.

O miliciano agiria como um capataz do vereador. Em troca, o político estaria apoiando a expansão do grupo pela região.

Desavenças – Os problemas entre Marielle e o vereador teriam acontecido por conta das ações comunitárias de Franco na Zona Oeste do Rio. Suas iniciativas teriam contribuído para que a popularidade da deputada crescesse em áreas de interesse da milícia que eram controladas pelo tráfego, incluindo comunidades em Jacarepaguá. Marielle teria “comprado briga” com a dupla quando passou a apoiar moradores da Cidade de Deus. O ex-PM seria dono da da Vila Sapê, em Curicica, que estaria em guerra com os traficantes da Cidade de Deus,

O crime – Cerca de um mês antes do assassinato, o miliciano, que já estava preso, teria dado a ordem para matar a política.

Orlando teria ordenado a clonagem de um carro, um Cobalt prata, enquanto um homem recebeu a tarefa de identificar os hábitos de Marielle e analisar todos os trajetos dela, com o objetivo de garantir que a execução fosse realizada.

Duas pessoas teriam sido mortas em queima de arquivo sobre o caso. A primeira delas, Carlos Alexandre Pereira Maria, de 37 anos, e a segunda, o PM reformado Anderson Claudio da Silva, de 48 anos.

Questionado pela publicação, o deputado Siciliano negou conhecer Orlando e afirmou que a notícia é “totalmente mentirosa”.

Fonte: ClickPB

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