Por Jefferson Procópio – O Brasil de Bolsonaro: entre a expectativa e a certeza

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Recomeçar. Palavra de ordem no Governo de Jair Messias Bolsonaro, este que tem decidido desde a campanha eleitoral a não aderir ao “toma lá, dá cá” que predomina no Congresso Nacional, ao menos é o que prega com cautela em sua contagem regressiva para a posse. O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) tem adotado a tática de nomear seus futuros ministros a partir das indicações técnicas, das bancadas temáticas, ou políticas, sem o aval de lideranças partidárias, além de ter investido na escolha de expressivo número de militares.

Seguindo linhas diferentes da normal, onde as alianças são enormes, Bolsonaro fez de forma contrária – se elegeu com dois partidos na coligação, PSL e PRTB, tendo como trunfo a conexão direta com o eleitorado através das redes sociais. Destarte, foi eleito não dependendo dos partidos e sim do povo, podendo imprimir uma nova forma de governar. O presidente eleito deverá se amparar nas suas bases ideológicas, como a bancada evangélica, o segmento dos militares e um conjunto de parlamentares de menor expressão.

Desta forma, ressurge um problema no qual o futuro líder do executivo irá enfrentar, que não é novidade, o custo operacional para fazer o Congresso funcionar, com a distribuição de cargos e recursos, mas, diante da dureza do quadro fiscal do governo, é provável que Bolsonaro esteja de mãos atadas. Sempre vai haver troca, não tem como ser diferente. Impossível que haja qualquer trato na política que não seja troca. O que determina o acerto ou erro é exatamente o que você está trocando, e nisto, o futuro presidente terá que utilizar todo o seu poderio (mesmo que pouco) para aprovar projetos.

Expectativa X Realidade versus Promessas X Parlamento

A palavra chave de qualquer político é “expectativa”. Comentam o incômodo gerado pelo modus operandi do presidente eleito na escolha dos seus auxiliares, queimando etapas, pulando as lideranças. Bolsonaro tem dado atenção às bases e bancadas temáticas em detrimento de líderes e presidentes de partidos nas indicações. Mas todos evitam criticar abertamente. Afinal, há expectativas em relação a conversas e ao novo governo. (Bolsonaro) não está valorizando a instituição ‘partido’, mas desde o primeiro momento, os presidentes de partido e parlamentares já sabiam que ele buscaria outra relação com outros partidários.

Os diversos desafios durante a gestão de Bolsonaro pode ser mais complexa do que aparenta

Por outro lado, durante sua campanha presidencial, Bolsonaro alimentou quatro grandes expectativas no brasileiro: mais segurança, mais emprego, fim da corrupção e ordem. Todas são excelentes, porém difíceis de serem cumpridas além de trazer riscos para o país. Sim, podem trazer risco! Vou tentar explicar de forma resumida. Vamos lá:

  • Segurança: tolerância zero com o crime depende de muitas mudanças na legislação, são propostas polêmicas que passam pelo crivo do STF (este que sempre questiona e rebate com súmulas mais maleáveis), podendo gerar mais fendas na lei. Outro ponto importante é a escalada organizada, ou seja, quanto maior a repressão, maior o rebate do outro lado.
  • Combate à corrupção: base aliada e comportamento de Bolsonaro são riscos, seu plano de dez medidas no combate à corrupção pode não passar nunca por votação por bater de frente com os famosos caciques políticos, fazendo com que seja combalido por seus próprios “aliados”.
  • Emprego: sem reforma da Previdência, criação de postos de trabalho já começam desacreditados, a taxa de desemprego chega ao assustador número de 12% e sua promessa de desburocratizar o Estado estão em discordância com o atual momento, podendo ser facilmente barrado por lei.
  • Ordem: mas que ordem? Bolsonaro explorou até em seu slogan de campanha – “acabou a farra”, “Ordem na casa”. O problema principal desta promessa de campanha é o próprio sentido do que se aplicou, a ordem. A ordem virá da compilação geral das promessas acima, porém, para realiza-las, deverá aplicar esta primeiro, sendo que, todos nós sabemos que os brasileiros em si, não há ordem em nada, apenas no papel.

 

Como brasileiros patrioticos, devemos esperar que nosso 38° presidente Jair Bolsonaro, um candidato sem dinheiro, sem máquina partidária e absolutamente improvável, conquistou o que, em seus sete mandatos como deputado, não era sequer um sonho distante: o poder executivo do país. O Legislativo e os governos estaduais apresentaram renovação maior que a prevista através do povo, em especial com a posse de representantes impulsionados pela ascensão das ideias da chamada “Nova Direita” nas mídias alternativas e pela influência pessoal do capitão da reserva, capazes de facilitar a governabilidade e a relação do presidente com os diversos cantos do país.

Devemos nos atentar em todos os seus passos, desde que, naturalmente, as atitudes condigam com as palavras. Nesse sentido, nossa atitude tem de ser a mesma que deve existir para com qualquer político. Político não se cultua, não se idolatra, se cobra e fiscaliza. Bolsonaro certamente vai errar. Quando acertar, apoiemos. Quando errar, questionemos, critiquemos, deixemos clara a nossa posição. Exerçamos as liberdades que não admitiremos sejam aviltadas.

Escritos de Jefferson Procópio – Graduando em Direito com Extensão em Ciência Política

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