Por Jefferson Procópio – Amigos x Voto: Quem vale mais?

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Campanha eleitoral em andamento, a questão evidente ressurge – a escolha dos nossos representantes nos poderes executivo e legislativo. Porém, em algum momento, um conhecido ou familiar vai citar uma posição polêmica de algum candidato. Em primeiro lugar, vale analisar a razão custo-benefício da discussão prestes a acontecer.

Vale acrescentar o seguinte; candidato A ou B está bem direcionado? Vai acrescentar relevância à vida de outrem? Vai reorganizar ou atrapalhar comportamento ou pensamento? E qual custo terá? Geralmente, os radicais ou intransigentes, a resolução é fácil: então a chance de a discussão virar resultado ou mudar a ideia do oponente é mínima, quase zero.

Nesses casos, a melhor maneira para acabar com essa dor de cabeça e todos os problemas, que em muitos casos pode virar intrigas e até violência: é a inação. No termo pejorativo é o famoso “deixa para lá!”. Se houver resistência do outro lado, até mesmo silenciar a conversa ou retirar-se do local pode ser a solução para quem quer começar uma discussão que geralmente nunca sai vencedores.

Em casos mais corriqueiros, o bom conhecimento de características dos amigos e família é extremamente relevante para fugir dessas discussões, como por exemplo, se você a conhece e sabe que a pessoa não consegue manter a linha depois de uma conversa mais ríspida, o melhor é parar de falar no tema supracitado.

A falta de tolerância com quem discorda de você é o principal problema enfrentado no Brasil em tempos eleitorais. A política tomou contornos de terror e repulsa, e quem apoia candidato A e o partido B acha que é o dono da razão, da verdade absoluta e julga os outros como “inimigo” que deve ser derrotado a todo custo. Pensar diferente e possuir ideologia diferente é uma afronta. A imbecilidade ronda as redes sociais.

Enquanto isso, os constituintes do poder executivo e legislativo, tratam-se em verdadeira e absoluta camaradagem entre ambos. Ódio? Não existe, onde cada qual tem sua base eleitoral, o seu partido, as suas pretensões e fazem um jogo de verdadeiro malabarismo para continuarem em seus cargos.

É indubitável citar a armadilha do filtro-bolha: só curto, sigo e falo quem segue meu candidato, que tem a mesma linha de raciocínio e visão política que a minha, os likes e comentários não podem passar de pessoas que acompanham minha ideologia partidária ou convertidas no desenrolar dos dias. Oras, qual a razão de ser de eu me fechar em uma bolha, bloqueando e excluindo vozes dissonantes à minha, se essas mesmas vozes permanecerão se manifestando em um Facebook paralelo ao meu, em comentários postados em notícias de portais e vídeos de YouTube, e, principalmente, nas urnas eleitorais?

Se você acompanhou ao choque de discursos deprimentes de deputados votando no impeachment em nome de Deus, da “família quadrangular evangélica brasileira”, dos “fundamentos do cristianismo”, da “mão calejada dos fumicultores”, dos maçons, dos corretores de seguros, “pela paz em Jerusalém”, contra “o ensinamento da mudança de sexo nas escolas” e até contra a “vagabundização remunerada”, é importante ter em mente que todos esses congressistas chegaram lá através dos nossos votos.

Podemos falar, com absoluta razão, muito mal do nosso sistema eleitoral vigente e forçar por uma reforma política urgente, mas o problema é que nossos representantes que propõe e votam estas leis que nos regem dia após dia nos representam, mesmo que erroneamente, são o reflexo absurdo de algumas ideias, convicções e anseios de muita gente que você passa a ignorar ao excluir amizades, bloquear contatos e desgastar pessoas.

Mas mesmo assim direciono minha pergunta a você, caro leitor, vale à pena perder uma amizade por sua ideologia partidária ou seu candidato?

Jefferson Procópio – Graduando em Direito com extensão em Ciência Política

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